JEFERSON MIOLA: MINISTRO MÚCIO INSULTA PROCESSO DE MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA
O futuro ministro da Defesa, José Múcio, durante anúncio de ministros no CCBB Brasília.
7 de janeiro de 2024 –
Antes de ministro da Defesa, José Múcio Monteiro atua como advogado das cúpulas militares e embaixador dos interesses da caserna perante o poder político e a sociedade civil. Do ponto de vista civil-republicano, portanto, ele é um anti-ministro.
Múcio é um personagem tragicamente ridículo e dissimulador que insulta o processo de memória, verdade e justiça que seria essencial para o Brasil efetivamente conseguir reconstruir a democracia.
Contrariando todas as evidências da realidade e os fatos documentados, Múcio sustenta que quem acampou nos quartéis durante meses, cometeu atos terroristas em dezembro de 2022 em Brasília e depredou as sedes dos poderes da República em 8 de janeiro “eram senhoras, crianças, rapazes, moças … Como se fosse um grande piquenique, um arrastão em direção à Praça dos Três Poderes”.
Hoje se sabe que as cúpulas militares, especialmente o Alto Comando do Exército, só não concretizaram o projeto golpista porque o governo Biden, dos EUA, não aprovaria, não apoiaria e promoveria sanções.
A despeito disso, no entanto, e com sinais de uma pessoa em estado delirante, Múcio diz que “podia ser até que algumas pessoas da instituição quisessem, mas as Forças Armadas não queriam um golpe”.
Os generais-conspiradores Sérgio Etchegoyen e Eduardo Villas Bôas, que integravam a alta hierarquia do Exército à época, traíram Dilma, que os havia nomeado, e tramaram secretamente com Temer a derrubada dela, conforme o próprio usurpador revelou em livro.
Na ocasião, a Academia era comandada pelo atual comandante do Exército, general Tomás Ribeiro Paiva, outro integrante da atual geração conspiradora do oficialato que era chefe de gabinete do Villas Bôas quando o general publicou o twitter em que o Alto Comando do Exército obrigou o STF a prender Lula.
Múcio, apesar disso tudo, diz que “para punir os militares, precisamos saber quem são os culpados”, mas até o momento não exigiu dos comandantes das três Forças a abertura de inquéritos sobre o envolvimento de vários oficiais e suboficiais em crimes comuns e contra a democracia.
Do ponto de vista do poder civil e da República, Múcio é a pessoa errada que ocupa o lugar errado no momento errado. Do ponto de vista militar, no entanto, Múcio cai como uma luva.