DENISE ASSIS: CAI BEM UM ANSIOLÍTICO NA REDAÇÃO DO ESTADÃO
1 de janeiro de 2024
No dia da posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em primeiro de janeiro de 2023, uma data como a de hoje, o grito que surgiu na massa compacta que foi a Brasília garantir sua posse foi: “sem anistia!”. O que deixa transparecer o Estadão é a busca insana de uma “anistia” informal, calcada no argumento fajuto e de encomenda do meio militar do: “vamos virar a página”.
O esforço do jornal está explícito até para os menos afeitos à política: é reabilitar o inelegível para repetir na cédula de 2026 o enfrentamento de 2022 entre ele e Lula. Na falta de um nome que arregimente votos contra o petista – que é o que parece exclusivamente interessar ao corpo editorial –, retoma-se o candidato enxovalhado. A tal ponto que querem forçar a barra para uma mudança nas leis, passando pano para crimes que de fato são crimes, como a falsidade ideológica praticada com a falsificação dos cartões de vacina. E o que dizer do roubo das joias, que é disso que se trata. Outro crime flagrante.
“Elaborar um diagnóstico preciso a respeito desse quadro de luzes e sombras envolvendo a atuação do STF é tarefa ainda a ser realizada. Até mesmo porque os inquéritos são, todavia, sigilosos. Não se conhece toda a extensão dos ataques, tampouco o alcance das medidas tomadas pela Corte. De toda forma, há dois pontos indiscutíveis: as circunstâncias do País são outras – aquelas ameaças ao regime democrático já não existem mais – e os inquéritos criminais têm de ter prazo para acabar – não podem permanecer indefinidamente no tempo”.O que o Estadão quer é a “prescrição” do crime contra o estado democrático de direito, em cinco anos, quando a pena prevista, somados todos os elementos que a compõe beira os 20 anos. Para isto, sugerem: “Além da questão jurídica – inquéritos devem respeitar os trâmites e limites legais –, o encerramento dessas investigações tem também uma evidente dimensão social e política, que o STF não pode ignorar. Não faz bem ao País – nem ao Supremo – um permanente e extravagante protagonismo da Corte constitucional. Se houve, nos últimos anos, circunstâncias excepcionais – que felizmente o STF soube detectar a tempo –, é preciso reconhecer quando elas já não se fazem presentes”. Como assim???
“Medida processualmente correta, encerrar os inquéritos é um gesto que fortalece a autoridade do STF e distensiona o País. As águas devem voltar ao seu leito normal”.
Um país em que o golpe brando e continuado nos leva a ter o executivo sufocado de um lado, pelo avanço despudorado e imoral do presidente da Câmara e seus pares, sobre o orçamento. Do outro, pelo presidente do Banco Central que trava o crescimento. Tudo isto, resultado da tentativa de golpe orquestrada todos sabemos por quem. Não dá para as águas voltarem ao seu leito normal, quando a todo momento vimos alguém atirar pedras para fazer marolas. E, por fim, não cabe a um jornal se meter nas questões jurídicas em andamento. Tomem um ansiolítico e aguardem o veredicto.