RELATÓRIO DA ONU DENUNCIA ABUSOS E CRIMES DE SOLDADOS ISRAELENSES: ‘PISA, COSPEM, AMEAÇAM, INSULTAM E HUMILHAM’ PALESTINOS
Documento expõe abusos das Forças de Segurança de Israel e pede o fim das operações militares, das prisões arbitrárias, dos maus-tratos aos palestinos e das restrições de movimento
O documento revela preocupações sérias sobre a detenção de palestinos, incluindo jornalistas, com alegações de tratamento brutal. Mais de 4.700 palestinos foram presos, alguns submetidos a atos de violência, insultos e, em alguns casos, violência sexual e de gênero. Fotos e vídeos publicados por soldados israelenses retratam abusos, degradação e humilhação de palestinos presos, levantando questionamentos sobre a conduta das forças israelenses. “Alguns foram despidos, vendados e mantidos presos por longas horas com algemas e com as pernas amarradas, enquanto os soldados israelenses pisavam em suas cabeças e costas, eram cuspidos, jogados contra paredes, ameaçados, insultados, humilhados e, em alguns casos, submetidos à violência sexual e de gênero”, denuncia a ONU.
O relatório também destaca um aumento acentuado nos ataques de colonos, com uma média de seis incidentes por dia, incluindo tiroteios, incêndios criminosos, saques e derrubada de oliveiras, árvores que constituem uma das fontes de renda da população palestina. Alguns desses colonos estavam acompanhados pelas forças israelenses, conforme documentado pela ONU.
“A desumanização dos palestinos que caracteriza muitas das ações dos colonos é muito perturbadora e deve cessar imediatamente. As autoridades israelenses devem censurar e impedir com veemência a violência dos colonos e processar tanto seus instigadores quanto seus perpetradores”, disse o Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk.
“Peço a Israel que tome medidas imediatas, claras e eficazes para pôr fim à violência dos colonos contra a população palestina, para investigar todos os incidentes de violência por parte dos colonos e das Forças de Segurança de Israel, para garantir a proteção efetiva das comunidades palestinas contra qualquer forma de transferência forçada e para garantir a capacidade das comunidades de pastores deslocadas devido a repetidos ataques de colonos armados de retornar às suas terras”, ressaltou Turk.