ENQUANTO NO AMAZONAS PROFESSORES PERMANECEM NA PASSIVIDADE, PROFESSORES DE OUTROS ESTADOS DENUNCIAM CORTE DE 2 MESES NAS AULAS EM NOVO ENSINO MÉDIO
Ato pela Revogação do Novo Ensino Médio
por Daniele Amorim
Educadores calculam que alunos de escolas públicas teriam uma redução diária de aproximadamente 30 minutos nas disciplinas tradicionais. Um documento assinado por mais de 30 pesquisadores destaca que o impacto seria duplicado se a decisão final for por 1.800 horas, proposta suspensa durante o governo de Michel Temer.
A manifestação ocorre em meio à discussão para alterar novamente a carga horária do ensino médio. O governo Lula enviou um projeto de lei com 2.400 horas, mas o relator Mendonça Filho (União-PE) sugerirá 2.100 horas.
O grupo de professores defende que alunos do ensino médio regular e técnico mantenham as 2.400 horas para aulas básicas, exigindo maior esforço dos governos estaduais. “Isso implica um esforço maior dos governos estaduais para garantir a existência de uma escola com infraestrutura e profissionais da educação valorizados”, diz o documento.
Além da carga horária, o grupo critica a desobrigação do ensino de língua espanhola, considerando um retrocesso. O Consed, conselho que reúne secretários estaduais de Educação, apoia as alterações propostas por Mendonça, enquanto o grupo de pesquisadores ressalta a importância do equilíbrio entre componentes curriculares.

“O projeto do governo Temer rompia e esfriava a relação com os países vizinhos [ao incluir a obrigação apenas para o inglês]. É um retrocesso”, afirma o professor da Faculdade de Educação da USP, Fernando Cássio, em entrevista ao UOL.
A reforma do ensino médio, iniciada no governo Temer, desagradou setores ligados ao PT. Mendonça, ex-ministro da Educação, atual relator, destaca que está ouvindo especialistas e respeita a decisão do Parlamento. O MEC enfatiza o respeito ao Congresso Nacional e destaca o processo de discussão amplo e democrático.