Em entrevista à agência russa RIA Novosti, Jalali destacou que o objetivo é garantir o retorno célere dos especialistas da Rosatom, a estatal russa de energia nuclear, ao canteiro de obras. “Estamos constantemente em contato e esperamos que sejam criadas condições para que os funcionários da Rosatom possam realizar seu trabalho”, declarou o diplomata.
Esvaziamento e segurança regional
A cooperação técnica enfrentou reveses recentes devido à instabilidade militar na região. Após bombardeios em áreas periféricas ao complexo de Bushehr, atribuídos por Teerã a Israel e aos Estados Unidos, a Rússia coordenou a retirada de quase 200 trabalhadores.
Atualmente, o contingente russo no local é mínimo. Segundo o cônsul-geral da Rússia em Isfahan, Andrey Zhiltsov, apenas cerca de 20 técnicos permanecem na usina para supervisionar equipamentos e garantir a manutenção básica da infraestrutura. A retomada plena das atividades depende, segundo a Rosatom, do restabelecimento da estabilidade regional.
O histórico de ataques preocupa a comunidade internacional. Em junho de 2025, a usina foi alvo de um ataque direto que, embora não tenha resultado em vazamento radiológico, foi classificado como um risco de “catástrofe nuclear” por Rafael Grossi, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Alianças estratégicas e o Estreito de Ormuz
Além do setor energético, a proximidade entre Moscou e Teerã deve se refletir em benefícios logísticos. O embaixador Jalali sinalizou que o Irã estuda a implementação de tarifas para embarcações que atravessam o Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais vitais do mundo.
Contudo, países considerados aliados não seriam afetados pela medida. O Ministério das Relações Exteriores iraniano já trabalha em um arcabouço jurídico para garantir isenções a “países amigos“, com a Rússia figurando no topo dessa lista de exceções.
O peso de Bushehr
Localizada no sul do Irã, Bushehr é o pilar central do programa nuclear civil do país. O projeto de expansão das novas unidades visa reduzir a dependência interna de combustíveis fósseis e consolidar a soberania tecnológica de Teerã. P
ara o governo iraniano, a conclusão das obras é inegociável, apesar das exigências de desarmamento vindas da Casa Branca como condição para o fim definitivo das sanções econômicas e das hostilidades.