FINANCIAL TIMES COMPARA DESTRUIÇÃO EM GAZA A CIDADES BOMBARDEADAS NA 2ª GUERRA MUNDIAL
GAZA CITY, GAZA - OCTOBER 28: Civil defense teams and civilians conduct search and rescue operations and debris removal work at the heavily damaged buildings after Israeli attacks at Nuseirat Refugee Camp as Israeli attacks continue on the 22nd day in Gaza City, Gaza on October 28, 2023. (Photo by Doaa Albaz/Anadolu via Getty Images)
Jornal inglês estima que 68% de Gaza foi destruída em menos de sete semanas, o que faz da cidade uma das mais bombardeadas na história
Destruição em Gaza é apontada como similar às que ocorreram durante a Segunda Guerra Mundial, aponta o Financial Times. Foto: Doaa Albaz/Anadolu
Segundo a avaliação de analistas militares ouvidos pelo jornal, com base nos danos às áreas urbanas, quase 68% das estruturas no norte de Gaza foram gravemente danificadas.
Os especialistas estimam que entre 82.600 e 105.300 edifícios foram reduzidos a escombros em algumas áreas. Estes números estão próximos do nível de destruição das cidades alemãs pelos Aliados.
Para efeito de comparação, a publicação lembra que 59% dos edifícios de Dresden, 61% dos de Colónia e 75% dos de Hamburgo foram danificados.
Autoridades palestinas na Faixa de Gaza informaram nesta terça-feira (5) que o número de mortos em Gaza subiu para 16.248. Entre eles estariam 7.112 crianças e 4.885 mulheres. Outras 7.600 pessoas foram declaradas desaparecidas e 43.616 ficaram feridas.
Gaza: das mais intensas campanhas de bombardeio
“Dresden, Hamburgo, Colónia… alguns dos piores atentados a bombas da história do mundo são lembrados pelos seus nomes geográficos”, explica Robert Pape, um historiador militar americano.
“Gaza também ficará para a história como o nome de uma das mais intensas campanhas de bombardeio convencional da história”, acrescenta o especialista ao Financial Times.
Conforme aponta a publicação, um dos principais motivos da grande destruição está nas munições utilizadas. A Força Aérea Israelense publicou fotos nas suas contas nas redes sociais mostrando que recorreu ao uso de bombas GBU-31 de 910 quilogramas.
De acordo com o Financial Times, as munições são quatro vezes mais pesadas do que as utilizadas pelas tropas norte-americanas na batalha pela cidade iraquiana de Mossul.
A Anistia Internacional apelou esta semana a uma investigação sobre os crimes de guerra cometidos por Israel em relação à utilização destas bombas e apelou à comunidade internacional para parar de fornecer armas às partes no conflito.
Mais razões para a destruição
A segunda razão para o elevado nível de destruição, segundo especialistas militares ouvidos pelo Financial Times, reside na velocidade e intensidade dos bombardeamentos israelenses.
Nos primeiros dias do conflito, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) lançaram cerca de 1 mil bombas por dia. O jornal compara esta estatística ao bombardeamento norte-americano de Mossul, onde foram utilizadas cerca de 600 bombas por dia durante os períodos mais intensos.
Os militares israelenses também reduziram o tempo necessário para coordenar um ataque, de modo que as tropas necessitam agora de menos de 10 minutos para identificar um alvo e lançar um ataque aéreo contra ele.
