DIA MUNDIAL DE COMBATE À POLIOMIELITE: COMO O GOVERNO ESTÁ AGINDO PARA AFASTAR O RETORNO DA DOENÇA

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Brasil não atinge patamar recomendável de segurança desde 2016, desde então, imunização contra crianças não passa de 70%

Lucas Weber

24 de Outubro de 2023 –

Zé Gotinha, Lula e Alckmin no ato de lançamento de Movimento Nacional pela Vacinação – Ricardo Stuckert

Desde 2016, o Brasil não tem dado conta de manter os índices de vacinação no nível exemplar que notabilizou o país internacionalmente. Nos últimos anos, o nível de imunização infantil caiu de 93,1% para 71,49%, fazendo com que a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificasse o Brasil em uma situação preocupante.

Uma das situações que mais assusta especialistas é a poliomielite, erradicada no país desde 1989.

No entanto, o país está falhando, justamente, naquilo que fez a doença não ser mais motivo de preocupação.

Em 2022, o percentual de vacinação contra pólio foi de 72%. No ano anterior, foi menor ainda, pouco menos de 71%, de acordo com o Ministério da Saúde. Sendo que o nível de segurança é quando o índice alcança 90% e 95% das crianças menores de 5 anos de idade, algo que o Brasil alcançava, ano após ano, até 2016.

 

Uma das apostas do governo federal para reverter este quadro foi apresentada em julho deste ano. O Ministério da Saúde anunciou que a Vacina Oral Poliomielite (VOP) vai ser substituída pela versão inativada (VIP) do imunizante a partir de 2024.

Na prática, o que a população vai perceber é o fim da famosa “gotinha”, conhecida como VOP. O objetivo é que a vacina contra a pólio seja apenas a injetável, a VIP.

Atualmente, a gotinha é utilizada no reforço da imunização, que deve acontecer aos 15 meses de idade. A injetável já é aplicada aos 2, 4 e 6 meses de vida, conforme o Calendário Nacional de Vacinação.

 

O que vai mudar, então, é no momento do reforço, que será aplicada mais uma vacina injetável.

A mudança foi aprovada pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações do Ministério e também respaldada por especialistas.

“O Brasil decidiu seguir a recomendação da Organização Mundial de Saúde e a experiência de muitos países do hemisfério Norte que utilizaram a vacina inativada da pólio. Ela é uma vacina que dá uma excelente proteção, imuniza a pessoa que toma a vacina” explica Fernando Verani, pesquisador titular da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

“Algumas intenções e projetos já em andamento por parte do Ministério da Saúde, por exemplo, a direção do Departamento de Imunização e Doenças Imunopreveníveis (DPNI), tem feito um trabalho fundamental para mexer com essas coberturas vacinais, para aumentar todas as coberturas vacinais, inclusive contra a poliomielite, através de um micro planejamento. Isso é uma das estratégias fundamentais para que você consiga e sustente boas coberturas vacinais”, defende o especialista.

Apesar do fim da gotinha, o Zé Gotinha fica. No próprio anúncio do governo federal foi esclarecido que o símbolo nacional da vacinação não será alterado.

“Foi acertada a permanência dele, ele é muito carismático, é o mascote da cultura da vacinação no país”, defende Verani.

 

Paraíba

Fora a ação do governo, estratégias regionais têm surtido efeitos. Na Paraíba uma mobilização articulada pela Fiocruz fez o índice de vacinação contra pólio saltar de 68,4%, em 2021, para 91,03%, em 2022.

A ação foi batizada ‘Pela Reconquista das Altas Coberturas Vacinais’. Segundo a Fiocruz, foram feitas intervenções em três eixos: sistemas de informação; comunicação e educação.

Em resumo, a Fiocruz qualificou os profissionais de saúde pública do estado e também garantiu infraestrutura nos postos de saúde. Além disso, foi reforçado o diálogo com a população.

“O propósito foi dialogar com a população nos territórios e articular com o poder público, instituições, organizações sociais e lideranças comunitárias uma grande rede de incentivo à vacinação”, explicou a Fiocruz.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a grande maioria das infecções não produz sintomas, mas de cinco a dez em cada 100 pessoas infectadas com esse vírus podem apresentar sintomas semelhantes aos da gripe. Em um a 200 casos, o vírus destrói partes do sistema nervoso, causando paralisia permanente nas pernas ou braços. Não há cura. Os principais efeitos da doença são ausência ou diminuição de força muscular no membro afetado e dores nas articulações.

“As vacinas estão disponíveis no SUS, são vacinas boas, eficazes e efetivas, de fato, controlam as doenças”, finaliza Verani.

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