Romeu Zema (Novo) deixou o cargo como governador de MG para se candidatar à presidência do Brasil em 2026 |Crédito: Marina Ramos/Câmara dos Deputados
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes pediu que o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) seja incluído no chamado inquérito das fake news, conduzido pela Corte. A solicitação foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e tramita sob sigilo.
A iniciativa ocorre após a publicação, por Zema, de um vídeo nas redes sociais em que utiliza fantoches para representar os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli. O conteúdo faz referência ao caso envolvendo o Banco Master e sugere irregularidades na atuação dos magistrados.
Na notícia-crime, Gilmar afirma que o material “vilipendia” a honra e a imagem do STF e também a sua própria. O ministro sustenta que o vídeo simula diálogos inexistentes entre integrantes da Corte, com potencial de atingir a credibilidade da instituição.
Segundo interlocutores do Supremo, Moraes encaminhou o pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR), que ainda deve se manifestar sobre a abertura de investigação.
Em entrevista, Zema disse que não havia sido notificado formalmente sobre a medida e criticou o que chamou de prática recorrente no STF. Segundo ele, investigações seriam conduzidas sob sigilo e sem garantir, inicialmente, o direito de defesa.
O ex-governador também reagiu publicamente ao pedido. Em entrevista à CNN, afirmou ter recebido a notícia com “surpresa e decepção” e acusou ministros da Corte de tentarem “calar qualquer um que discorde”. Ele classificou a iniciativa como “antidemocrática”.
Zema declarou ainda que o vídeo utilizou uma “alegoria” para expressar críticas ao que considera problemas no funcionamento do Supremo. Segundo ele, a reação do ministro reforçaria a percepção de que integrantes da Corte não toleram questionamentos.
O episódio se soma a atritos recentes entre os dois. Nos últimos dias, o ex-governador tem intensificado críticas a ministros do STF, defendendo inclusive o impeachment de integrantes da Corte. Gilmar Mendes, por sua vez, já havia classificado como “contradição” o fato de Zema atacar o Supremo após recorrer à instituição em disputas envolvendo a dívida de Minas Gerais.