PERSONALIDADES BRASILEIRAS FORMAM COMITÊ PELA LIBERDADE DE JULIAN ASSANGE EM MEIO À AMEAÇA DE EXTRADIÇÃO

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Supporters of WikiLeaks founder Julian Assange take part in a 'Night Carnival for Assange' march in London on February 11, 2023. A UK court on issued on April 20, 2022 a formal order to extradite the WikiLeaks founder to face trial in the United States over the publication of secret files relating to the Iraq and Afghanistan wars. (Photo by Susannah Ireland / AFP)

AMEAÇA À LIBERDADE

Grupo tenta impedir que jornalista seja enviado aos EUA, onde pode ser condenado a 175 anos de prisão

Nara Lacerda

Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 25 de Agosto de 2023 –

“Libertem Julian Assange: Jornalismo não é crime”, protesto em Londres contra a extradição do ativista – © Susannah Ireland / AFP

Personalidades políticas do Brasil integram o Comitê pela Liberdade de Julian Assange, iniciativa criada nesta semana frente à possibilidade cada vez mais concreta de extradição do jornalista para os Estados Unidos. O fundador do Wikileaks está preso há mais de quatro anos em Londres, no Reino Unido.

 

Em 2010, ele publicou aproximadamente 250 mil arquivos, entre fotos, vídeos e documentos do Pentágono, que revelavam crimes de guerra cometidos pelos militares estadunidenses no Iraque e Afeganistão, além de tortura contra detentos da prisão de Guantánamo, base militar dos Estados Unidos em Cuba.

Agora, Assange aguarda uma possível extradição e pode ser condenado a até 175 anos. Ele é acusado de 18 crimes relacionados à espionagem. O grupo de apoio criado no Brasil foi lançado após uma conferência online que teve a participação da esposa do ativista, a advogada Stella Assange.

No encontro estavam presentes ex-ministros brasileiros, incluindo Paulo Sérgio Pinheiro, Paulo Vannuchi e Luiz Carlos Bresser-Pereira e personalidades que militam pelos direito humanos e pela democracia, assim como Kristinn Hrafnsson, editor-chefe do WikiLeaks desde 2010.

 

Diante da perspectiva de extradição já nas próximas semanas, a reunião online serviu como um espaço para discutir táticas que possam reverter o cenário.

Segundo Stella Assange, o jornalista pode ser transferido para uma prisão de segurança máxima. “Temos pela frente a nossa última linha de defesa. Precisamos aumentar a pressão sobre os países, para que se manifestem em relação a este caso que é um escândalo repleto de ilegalidades”.

Ela ressaltou que, por ser estrangeiro, o marido não contará com a proteção da 1. Emenda da Constituição americana, que determina liberdade total de expressão. Ele foi enquadrado na lei de espionagem, apesar de ser um jornalista que estava no exercício da função. “Armaram uma armadilha perfeita para ele”, disse a advogada.

O Comitê pela Liberdade de Julian Assange, vai atuar no âmbito jurídico e institucional. O grupo também tentará estabelecer novos canais de diálogo com autoridades nacionais e internacionais, lideranças políticas e diplomáticas. O principal objetivo é impedir a extradição.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

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