ADVOGADO DE MICHELLE DEIXA CASO DAS JOIAS POR DIVERGÊNCIAS
Abandono da defesa era dado como certo porque advogados almejavam blindagem e preservação do capital eleitoral da ex-primeira-dama.
De acordo com informações levantadas pelo G1, Bialski não gostou da decisão de Michelle em não gastar mais dinheiro com a contratação de advogados. Oficialmente, ele apresentou “motivos de foro íntimo”.
Porém, a provável razão da saída do advogado do caso deve ser o conflito com a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que assumiu também o caso da ex-primeira-dama no último domingo (20).
Unificação
A entrada de Paulo Amador da Cunha Bueno se deu a partir dos agravamento do caso, a partir da possibilidade de confissão de crimes do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Na semana passada, o advogado de Cid, Cezar Bitencurt, chegou a afirmar que o militar faria uma confissão, mas não em relação à venda ilegal de joias sauditas que pertencem à União, mas sobre a venda de um relógio de luxo da marca Rolex.
Após a repercussão da possibilidade de confissão, a proposta de Cunha Bueno é unificar as defesas. No entanto, a defesa de Michelle foi contra a decisão e sua saída já era dada como certa desde ontem.
Divergências
A intenção dos advogados de Michelle era blindá-la no caso joias, a exemplo da estratégia usada no caso dos cheques, quando a ex-primeira-dama recebeu depósitos que somavam R$ 89 mil feitos por Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro.
Na época, o ex-presidente isentou a esposa de qualquer responsabilidade e atribuiu os depósitos a um empréstimo feito a Queiroz, fato que não apresentaria nenhuma ilegalidade.
Já no caso joias, a unificação das estratégias seria prejudicial à Michelle, tendo em vista que ela está elegível e pode ter prejuízo de imagem e eleitoral. Michelle já foi cotada para disputar cargos no Legislativo e Executivo e também chegou a ser contratada pelo Partido Liberal (PL) para viajar pelo País e preparar o campo para as eleições municipais de 2024.
A antiga defesa de Michelle também refuta a ideia de unificação de estratégias, pois a única forma de blindá-la seria uma confissão de Bolsonaro, em que ele admite que foi ele quem ordenou a venda das joias, assim como fez no caso dos cheques – fato que, aparentemente, está longe de acontecer.
