BRUNO HELLER, MAIOR DEVASTADOR DA AMAZÔNIA, É BOLSONARISTA E ATUOU EM GRUPO PARA DOAÇÕES DE CAMPANHA

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DESMATAMENTO DA AMAZÔNIA

Nome de Bruno Heller consta em lista de doações feitas ao comitê bolsonarista de Novo Progresso. Ele é acusado de ter invadido e grilado mais de 21 mil hectares de terras da União para criar gado.

Ação da PF que resultou na prisão de Bruno Heller, maior devastador da Amazônia.
Créditos: DFP

Por Plinio Teodoro

POLÍTICA – 3/8/2023 · 

Preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (3) acusado de ser o maior devastador da Amazônia, o grileiro Bruno Heller é apoiador de Jair Bolsonaro (PL) e atuou na arrecadação de dinheiro para a campanha do ex-presidente em 2022 entre empresários de Novo Progresso, no Pará.

Heller é acusado de desmatar mais de 6.500 hectares de floresta, o equivalente a quase quatro Ilhas de Fernando de Noronha. Ele e seu grupo teriam se apossado de mais de 21 hectares de terras da União com a finalidade de criar gado em território da Amazônia.

O bolsonarista também 11 autuações e seis embargos do IBAMA por irregularidades, e perícias da PF indicam a existência de danos ambientais ocasionados por suas atividades também na Terra Indígena Baú.

Heller aparece em uma lista de empresários da região de Novo Progresso que participaram de uma ação via WhatsApp do Comitê de bolsonaristas de Novo Progresso.

A lista foi divulgada pelo jornal Folha do Progresso no dia 17 de outubro, entre o primeiro e segundo turno da eleição. A ação lista apenas bolsonaristas que doaram acima de R$ 1 mil. Bruno Heller aparece como doador de R$ 2 mil ao comitê, que tinha como objetivo arrecadar R$ 200 mil só no grupo de WhatsApp.

Bruno Heller e sua área de mais de 21 mil hectares também aparecem em uma reportagem feita pelo The Intercept Brasil sobre grilagem de terras.

A família Heller teria registrado ao menos 10 áreas contínuas na região, todas elas através de Bianor Dal Magro, catarinense que realiza uma espécie de consultoria da grilagem na região.

Invasão de áreas da União
Segundo a investigação da Polícia Federal, Heller começou a invadir e tomar posse de terras da União ainda nos anos 2000, em áreas que ficavam às margens da BR-163, que liga Santarém, no Pará, a Cuiabá, no Mato Grosso.

Os lotes grilados eram registrados no nome deles e de parentes – alguns até menores de idade. A maioria deles não residia na região nem realizava atividade agropastoril.

A grilagem das terras era feita por meio de fraude no Cadastro Ambiental Rural (CAR).

A Justiça Federal do Pará determinou o confisco de 16 fazendas e 10.000 cabeças de gado que pertenceriam ao investigado. Heller também é alvo de processos no Incra, que tenta retomar as terras da União.

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