MAIS DA METADE DOS BRASILEIROS QUER QUE BOLSONARO SEJA TORNADO INELEGÍVEL, MOSTRA DATAFOLHA. QUE PODE OCORRER AGORA, EM ABRIL
(FILES) In this file photo taken on February 3, 2023, far-right former Brazilian President Jair Bolsonaro speaks during the Turning Point USA event at the Trump National Doral Miami resort in Doral, Florida. - Lawyers for Jair Bolsonaro say the former Brazilian president has agreed to hand over to authorities jewels gifted by Saudi Arabia and which entered the country without being declared to tax authorities, local media reported on March 13, 2023. (Photo by JOE RAEDLE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP)
O ex-presidente pode se tornar inelegível já em abril no processo que corre no TSE sobre abuso de poder político
Pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (4) mostrou que 51% dos eleitores brasileiros querem que Jair Bolsonaro (PL) seja punido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e se torne inelegível por oito anos. Outros 45% acreditam que o ex-presidente, no entanto, é inocente.
Ele é acusado de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação para favorecer a si mesmo no processo eleitoral do ano passado. Na ação que tramita no TSE consta a reunião com embaixadores pouco antes das eleições de 2022, na qual Bolsonaro atacou as urnas eletrônicas e criticou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na ocasião, entre outras declarações, Bolsonaro tentou deslegitimar a segurança das urnas eletrônicas. “Nós não podemos enfrentar mais uma eleição, sob o manto da desconfiança. Temos que ter a certeza de que o voto de um eleitor, vai para aquela pessoa”, disse.

Durante 50 minutos, Bolsonaro discursou para embaixadores estrangeiros sobre as eleições no Brasil / Foto: Divulgação
O ex-presidente também atacou diretamente ministros do STF. “Me acusam de atentar contra as eleições e a democracia. Quem faz isso é o próprio TSE … Nós vemos claramente, ministro Fachin foi quem tornou Lula elegível, e agora é presidente do TSE. Ministro Barroso foi advogado do terrorista Battisti que recebeu aqui o acolhimento do presidente Lula em dezembro de 2010. O ministro Alexandre de Moraes advogou no passado para grupos que, se eu fosse advogado, não advogaria”, insinuou Bolsonaro.
Segundo o corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Benedito Gonçalves, há um “rico acervo probatório” contra Bolsonaro. “Foram realizadas cinco audiências e requisitados todos os documentos, inclusive procedimentos sigilosos, relacionados aos fatos relevantes para deslinde do feito” durante três meses.
Entre esses documentos está a minuta de um decreto golpista encontrada na casa do ex-ministro de Justiça de Bolsonaro, Anderson Torres, pela Polícia Federal. O documento autorizava Bolsonaro a declarar estado de defesa nas sedes do TSE para reverter o resultado da eleição presidencial do ano passado.
O PDT, partido que solicitou a inclusão do documento na investigação, afirmou que a minuta seria um “embrião gestado com pretensão a golpe de Estado”, o que contribui com “os argumentos que evidenciam a ocorrência de abuso de poder político tendente promover descrédito a esta Justiça Eleitoral e ao processo eleitoral, com vistas a alterar o resultado do pleito”.
Ao incluir a minuta no processo, Benedito Gonçalves afirmou que a tese apresentada pela sigla possui “aderência”, “em especial no que diz respeito à correlação do discurso com a eleição e ao aspecto quantitativo da gravidade”.
O discurso, prosseguiu o ministro, “não mirava apenas os embaixadores, pois estaria inserido na estratégia de campanha do primeiro investigado de ‘mobilizar suas bases’ por meio de fatos sabidamente falsos sobre o sistema de votação”.
Edição: Vivian Virissimo