HÁ MAIS DE 40 ANOS, PIG TENTA CONSTRUIR IMAGEM DE LULA REVOLUCIONÁRIO. E ACERTA

Para ajudar o novo “Caçador de Marajás”, “Pai do Real” ou “Vez do Aécio”, mídia golpista ressuscita velhas teses para fazer de Lula um revolucionário. E é aí onde está sua força e sua ternura.

 

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Em 1979, quando Veja estampou pela primeira vez o rosto de Lula em sua capa, o Brasil vivia sob uma Ditadura que assassinava brasileiros e conspirava com a CIA e o FMI na imposição à força das políticas neoliberais – reunidas mais tarde sob o manto do “Consenso de Washington -, a exemplo do já ocorria no laboratório do sanguinário regime do general Augusto Pinochet no Chile.

À época, a revista financiada pelas fundações estadunidenses que levavam aos países periféricos a batalha cultural travada na Guerra Fria, buscava criar a imagem de um sindicalista revolucionário, inspirado nas ideias de Fidel Castro e Che Guevara, que estaria lutando para impor o comunismo no país.

Muito antes de ser incorporado ao discurso medíocre de Jair Bolsonaro, a construção de uma ideia volátil de “comunismo” – uma espécie de “homem do saco” de adultos – foi cunhada e difundida em jornais bancados pelo sistema financeiro para confrontar a crescente cooptação de adeptos das teorias de Karl Marx nos periódicos fundados pelo proletariado.

Foi nesse embate, ainda no final do século XIX, que iniciou-se a guerra de narrativas, hoje incorporada no discurso protofacista da ultradireita radical, anabolizada com fake news e propagada pelas redes e mídias digitais.

Passados 40 anos desde que Veja iniciou a cruzada contra o então sindicalista, mesmo depois de ter passado por dois de seus governos que de comunista nada tiveram, a mídia liberal (ou Partido da Imprensa Golpista, o PIG, definido pelo saudoso Paulo Henrique Amorim), financiada pelo mesmo sistema financeiro que lucra com as políticas neoliberais, tenta mais uma vez retomar o discurso de que Lula é um “revolucionário”.

Para ajudar Sergio Moro, mais um aventureiro alçado ao posto de “Caçador de Marajás”, “Pai do Real” ou a “Vez de Aécio”, o PIG distorce um fala extremamente lúcida de Lula sobre autodeterminação dos povos para falar em “autoritarismo”.

Lula é, sim, um revolucionário. No amplo sentido da palavra. Daqueles que fazem das revoluções a locomotiva da história. Daqueles que não se deixam de indignar com a fome e a miséria, seja aos 30, 40, 50, 60, 70 ou 80 anos.

Lula é um revolucionário por buscar o novo, o diferente, diante de um mundo que imprime em novos rostos velhos métodos cruéis e fascistas de espoliação do povo e da classe trabalhadora. Que insistem em velhas teses para crucificação de novas propostas que buscam diluir o status quo daqueles que sempre estiveram do lado dos opressores.

É daí que vem o autoritarismo. De jornais e jornalistas que carregam em si todo o peso de um passado que sempre subjugou pobres, mulheres, negros, homossexuais para sustentar o privilégio de homens brancos, armamentistas por serem covardes, que têm muito medo de qualquer coisa que coloque em risco sua estrutura de exploração social. E que buscam se manter no poder financiando essa mesma mídia para que distorçam e vendam como “limpinhas” suas verdadeiras intenções.

Lula é um revolucionário. Um revolucionário que tem sido duro com aqueles que buscam destruir sua imagem há mais de 40 anos. Um revolucionário, no entanto, que jamais perde a ternura com aqueles que trabalham para que um dia, definitivamente, a esperança possa vencer o medo.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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