“ESTAMOS AQUI PELA NOSSA EXISTÊNCIA”: FRIO E CHUVA NÃO AFASTAM MANIFESTANTES DE 31ª EDIÇÃO DO GRITO DOS EXCLUÍDOS EM SÃO PAULO
afinsophia 07/09/2026 0
SEGUE A LUTA
Sob temperatura de 10°C, mobilização começou com café solidário para a população em situação de rua na Praça da Sé
- SÃO PAULO (SP)
- LUCAS SALUM
O frio de 10°C e a chuva que marcaram a manhã desta segunda-feira (7) em São Paulo não impediram Maria Hortênsia, de 72 anos, de chegar à Praça da Sé para mais uma edição do Grito dos Excluídos e Excluídas. Participante da mobilização há cerca de 20 anos, ela explicou ao Brasil de Fato o motivo de estar novamente nas ruas: “Nós estamos aqui pela nossa luta e pela nossa existência e por um Brasil melhor”.
Antes da abertura do ato político, a solidariedade marcou o início da manhã no centro da capital paulista. A Pastoral do Povo da Rua organizou um café da manhã voltado à população em situação de rua, com a distribuição de 2 mil cafés, além de 2 mil bananas, mexericas e água.
Integrante da Marcha Mundial das Mulheres, do Movimento de Saúde e do Fórum de Saúde de Campo Limpo, Hortênsia afirmou que enfrentar o frio para participar da manifestação era parte de uma luta que considera permanente. “Nós temos que lutar, nós temos que lutar para defender o nosso estado, defender salário, defender a vida. Porque nós, os excluídos, é que pagamos sempre o erro deles, dos imensos, dos grandões.”
A mobilização em São Paulo faz parte da 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas, realizada em diferentes regiões do país neste 7 de setembro. Neste ano, o lema é “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. Entre as pautas nacionais estão a garantia de moradia digna, a reforma agrária, a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), o combate ao feminicídio e o fim da escala de trabalho 6×1.
Rosenilda Menezes de Souza, de 64 anos, também enfrentou a manhã fria para participar do ato. Beneficiária do programa Minha Casa, Minha Vida, ela contou que frequenta o Grito há anos e guarda na memória manifestações maiores do que a deste ano.

Três décadas de Grito dos Excluídos
Realizado desde 1995, o Grito dos Excluídos surgiu a partir dos debates da segunda Semana Social Brasileira, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em 1993 e 1994. Desde então, a mobilização ocorre no 7 de setembro como um contraponto popular às comemorações oficiais do Dia da Independência, levando às ruas reivindicações relacionadas às condições de vida da população.
Em São Paulo, a programação começou às 7h, com o café da manhã solidário na Praça da Sé. A abertura do ato político-cultural estava prevista para as 9h e a saída da caminhada, para as 10h.
O percurso previsto partia da Praça da Sé e passava pelo Pátio do Colégio, rua Boa Vista, Largo São Bento e rua Líbero Badaró até chegar ao Largo São Francisco. A programação estabeleceu três pontos para manifestações e falas políticas: Praça da Sé, Largo São Bento e Largo São Francisco.
Entre os presentes no ato estavam Thiago Ávila, Eduardo Suplicy, Paulo Teixeira e Amanda Paschoal.
Para Hortênsia, a realização do Grito em um ano eleitoral acrescenta peso à mobilização. “Se todos nós, excluídos, nos unirmos, a gente ganha essa e ganha qualquer coisa, porque nós somos a maioria. Então, nós temos que ficar conscientes da nossa luta.”
A programação deste 7 de setembro terminou às 12h, com uma missa na Catedral da Sé, presidida pelo cônego Marcelo Monge e concelebrada por padres convidados.
