“MORO É O CANDIDATO DOS EUA PARA 2022”, PROFETIZOU BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS
“Moro é o homem dos Estados Unidos, ele é o candidato dos Estados Unidos para 2022. Ele fez todo o trabalho. E a carreira política dele é exatamente isso – destruir a economia brasileira, destruir a esquerda, abrir caminho para um político de transição – obviamente abrindo caminho para ele mesmo, ele é o candidato deles”, disse o professor Boaventura de Sousa Santos
Brasil Wire – O Professor Boaventura de Sousa Santos, doutor em Sociologia do Direito pela Yale University, é professor e coordenador do CES – Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, e um dos mais importantes pensadores ibero-americanos. Ele deu essa entrevista ao vivo enquanto, por coincidência, em Brasília, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, fazia sua declaração de renúncia ao governo de Jair Bolsonaro, em mais um capítulo da crise política brasileira.
A entrevista abordou a dupla crise que o Brasil atravessa – uma crise de saúde, causada pelo Coronavírus, e outras políticas. Nesse cenário conturbado pela pandemia, o governo de Bolsonaro revela profunda instabilidade institucional, com hostilidade ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal. Enquanto isso, o combate à pandemia está sob a sombra da demissão do ministro da Saúde, Mandetta, que era favorável ao isolamento social.
Na quarta-feira, dia 22, o ministro da Economia, Paulo Guedes, responsável pela agenda neoliberal do governo, não participou de reunião coordenada pelo chefe da Casa Civil, General Walter Braga Netto, para anunciar o lançamento de um programa de recuperação econômica pós-Covid-19 (Pró-Brasil), que prevê aumento dos gastos com investimentos públicos para os próximos anos. Agora, nesta sexta-feira, dia 24, o Brasil, com um governo que parece estar sob a tutela de militares, em meio a vários caminhos para o impeachment do presidente, o cenário é agravado pela queda do ministro Sérgio Moro.
Segundo Boaventura de Sousa Santos, “é realmente extraordinário estarmos a falar neste preciso momento em que Sérgio Moro está a fazer uma transição. Acho que o Brasil é o único país do mundo que, em meio à pandemia, passa por uma grave crise política. Acompanho a situação em vários países e nenhum deles está nesta situação, o que pode ser uma crise do próprio regime político. A renúncia de Sérgio Moro tem causas próximas e distantes. As causas mais próximas levantadas são que em breve a Polícia Federal incriminará a família Bolsonaro, senão diretamente o presidente, mas seus filhos. Claro que isso já se sabe há muito tempo”.
Boaventura de Sousa Santos é incisivo:
“Moro é o homem dos Estados Unidos, ele é o candidato dos Estados Unidos para 2022. Ele fez todo o trabalho. E a carreira política dele é exatamente isso – destruir a economia brasileira, destruir a esquerda, abrir caminho para um político de transição – obviamente abrindo caminho para ele mesmo, ele é o candidato deles. Isso significa que a própria Embaixada dos Estados Unidos provavelmente deve estar envolvida em tudo isso. Isso significa que Moro passou a ser visto pela carreira política, o Bolsonaro não é mais um recurso, ele pode ser descartado”.
Para o sociólogo, Bolsonaro é um presidente descartável:
“Parece-me que devido à crise produzida pelo seu comportamento durante a pandemia, ele está sendo descartado mais cedo, porque a agenda de Paulo Guedes, um neoliberal alinhado com os Estados Unidos, também está em risco neste momento, desde o General Braga Netto, que todos consideram o presidente operacional, saiu com uma política de emergência que neutraliza efetivamente a política do próprio Paulo Guedes. Portanto, é natural que o próprio Guedes esteja com os dias contados”.
Boaventura acrescenta: