ESTADÃO VÊ “AMEAÇA DE GOLPE DE ESTADO” E FOLHA PEDE IMPEACHMENT DE BOLSONARO
Jornal GGN – A crise política escalada a cada dia pelo presidente Jair Bolsonaro culminou nesta sexta-feira (6) com dois editoriais, da Folha e do Estadão, pedindo que o extremista de direita seja sacado do poder pela lei que ele mesmo ataca, ou seja, a Constituição. Ao contrário do que ocorreu no golpe de 1964, quando a imprensa se alinhou a setores da sociedade civil e aos militares no fechamento do regime, hoje dois dos principais jornais impressos do País alertam que Bolsonaro ameaça um “golpe de Estado” e “precisa ser parado”.
Em duro editorial de primeira página, Folha escreveu que Bolsonaro é um “ensaio de ditador” que não respeita a Constituição e que ataca o sistema eleitoral e a democracia não só por “loucura”, mas como “método”.
O jornal destacou os péssimos resultados de Bolsonaro na economia, a carestia de preços que vão desde comida à energia elétrica, além das milhares de mortes por Covid-19, fruto de uma gestão negligente por parte do presidente da República. Folha defendeu que com os elementos de crime colhidos pela CPI no Senado, Bolsonaro seja responsabilizado.
Para a Folha, o “uivo autoritário” de Bolsonaro começou a ser respondido pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Tribunal Superior ELeitoral, que abriram inquéritos para investigar condutas criminosas do presidente em seus ataques às urnas eletrônicas e aos ministros do STF.
Porém, os presidentes da Câmara e Senado ainda jogam o jogo de Bolsonaro, num ato ingênuo ou interesseiro, desconsiderando que, se pudesse, Bolsonaro fecharia o Congresso.
As críticas do diário também alcançaram o procurador-geral da República, Augusto Aras, que funcionou como escudo para Bolsonaro, a troco de uma sonhada cadeira no Supremo.
Já o Estadão, em editorial mais cheio de dedos quanto ao futuro de Bolsonaro, lembrou dos ataques recentes ao Supremo e frisou a “ameaça explícita de golpe de Estado” como resposta ao inquérito das fake news. O jornal defendeu que a decisão do STF contra Bolsonaro foi juridicamente legítima e segue o rito habitual, ao contrário do que alega o presidente.
Bolsonaro, para o Estadão, está “sem freio” e só vai parar quando bater no “muro das instituições democráticas”. “Que esse muro aguente o tranco”, defendeu, sem citar o impeachment nominalmente.