Imagens fraudulentas sobre Cuba se espalham na internet nos últimos dias
A campanha contra o governo cubano segue nas redes sociais, agora abusando da disseminação de fake news. Após a manifestação do domingo (11), as redes sociais passaram a ser inundadas de imagens falsas que tentam passar a impressão de que o protesto contra o governo de Miguel Díaz-Canel foi muito maior do que de fato ocorreu.
Uma das imagens que mais circulam na internet foi desmentida pelo serviço de checagens de fatos do Estado de S. Paulo. A foto, que mostra uma multidão à beira-mar, foi tirada, na verdade, em um protesto no Egito, em 2011 (veja abaixo). “Ela foi compartilhada ao menos 1,9 mil de vezes antes de ser apagada, informa o Estadão Verifica.
O serviço destaca ainda outras imagens que foram tiradas de contexto para mentir sobre Cuba. Um delas, mostra protestos contra o governo de Sebastián Piñera, no Chile. Em outra, na qual policiais apontam armas para manifestantes, é possível ver na fachada de lojas textos em inglês, o que deixa claro que não se trata de uma fotografia feita em Cuba.
Outra mentira que tem sido difundida nas redes sociais e grupos de WhatsApp é a de que a revolta da população cubana é tão grande que o ex-presidente Raúl Castro teria fugido do país. Ilustrando a farsa, está uma foto que mostra o irmão de Fidel desembarcando de um avião. A agência Aos Fatos verificou a imagem e comprovou que se trata, na verdade, de uma visita que Raúl fez à Costa Rica em 2015.
Na quarta-feira (14), o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, alertou para a disseminação de fake news sobre o que ocorre em Cuba. No Twitter, ele compartilhou a foto de uma manifestação em favor do governo cubano que tem sido divulgada como um protesto de oposição.
Campanha americana
O governo cubano denuncia que o ato do domingo passado foi preparado e estimulado pelos Estados Unidos e contou com uma campanha prévia na internet, que abusou do uso de robôs para impulsionar a hashtag #SOSCuba. A ação aproveitou o fato de uma nova variante do coronavírus ter chegado à ilha, elevando o número de infectados e mortos por Covid-19.
Várias lideranças políticas internacionais manifestaram apoio a Cuba, pedindo, como fez o presidente Lula, o fim do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há 60 anos e que, durante a pandemia, em vez de ser suspenso, como aprovou a ONU em Assembleia, foi, na verdade, intensificado. Com isso, o país tem tido a economia estrangulada e encontra dificuldade até mesmo para comprar respiradores médicos.
Uma das denúncias é a de que o governo dos Estados Unidos tenta provocar em Cuba uma espécie de “revolução colorida” e derrubar o governo revolucionário, objetivo de longa data dos americanos. “A lógica aqui é simples. Ela já foi testada muitas vezes por Washington em diferentes situações, mas tudo na mesma forma – na instigação de “revoluções coloridas” contra regimes indesejáveis. No início contra eles são introduzidas sanções, são criados ou impostos do exterior problemas artificiais, que agravam a situação socioeconômica. Com base nisso, são provocadas tensões e inflamados os sentimentos antigovernamentais”, afirmou, na quinta-feira (15), a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.
Da Redação