INFLAÇÃO EXPLODE NAS CAPITAIS; EM QUATRO, JÁ ATINGE DOIS DÍGITOS
afinsophia 10/07/2021 0
Inflação atinge especialmente os mais pobres
O laissez-faire (deixe fazer) que o neoliberal Paulo Guedes implantou na economia está fazendo o Brasil regredir aos tempos em que a inflação era um dragão a pulverizar a renda dos trabalhadores, transferindo-a para as contas dos especuladores da ciranda financeira, hoje conhecidos como rentistas. Os sinais dessa renúncia ao controle pipocam em pelo menos quatro capitais, que já atingem inflação anual acima de 10%.
Na média nacional, foi de 0,53% o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, divulgado nesta quinta-feira (8). “Esse é o maior resultado para o mês desde 2018 (1,26%)”, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano, o índice acumula alta de 3,77% e, nos últimos 12 meses, de 8,35%, acima dos 8,06% observados nos 12 meses anteriores.
Todas as regiões pesquisadas apresentaram variação positiva em junho. As capitais que se destacam no acumulado do ano são Rio Branco (12,06%), Campo Grande (11,38), Fortaleza (10,07) e São Luís (10,36), todas superando a barreira dos dois dígitos.
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta de preços em junho. O maior impacto (0,17 p.p.) veio do grupo Habitação, cujos preços subiram 1,10%. Na sequência, vieram Alimentação e bebidas (0,43%) e Transportes (0,41%), cujos impactos foram de 0,09 p.p. As carnes (1,32%) subiram pelo quinto mês consecutivo e acumulam alta de 38,17% em 12 meses.
A energia elétrica (1,95%) exerceu o maior impacto individual no índice do mês (0,09 p.p.). Ainda em Habitação, destacam-se a alta da taxa de água e esgoto (1,04%) e o aumento dos preços do gás de botijão (1,58%) e do gás encanado (5,01%), itens cujos preços são reajustados conforme a política de dolarização dos preços praticada pela Petrobras desde o usurpador Michel Temer.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que abrange as famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos, foi ainda maior, e chegou a 0,60% em junho. No ano, o indicador acumula alta de 3,95% e, em 12 meses, de 9,22%, acima dos 8,90% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.
Houve variações para cima em todas as regiões. Curitiba (10,65%), Porto Alegre (10,11%), Rio Branco (12,70%) e Fortaleza (10,60%) ultrapassaram a casa do INPC anual de dois dígitos.
Já a taxa Selic, referência para a remuneração de títulos de capitais, permanece com perspectiva de fechar em 6,50% em dezembro, com possibilidade de chegar a 6,75% em 2022. Em 19 de março de 2020, no início da pandemia do coronavírus, a taxa chegava a 3,75%.
Em seu perfil no Twitter, o deputado federal Rubens Otoni (PT-GO) expressou a indignação do povo. “Inflação é a maior desde setembro de 2016 – O IBGE divulgou a nova taxa de inflação. Foi de 0,53% no mês de junho e atingiu 8,35% nos últimos 12 meses. O maior impacto é o da energia elétrica. Governo sem controle!”, afirmou.
Paulo Paim pede a volta da política de valorização do salário mínimo
Nesta sexta-feira (9), foi a vez de a Fundação Getúlio Vargas soar o alarme inflacionário. Todas as sete capitais pesquisadas fecharam a primeira prévia de julho com inflação maior. No começo do mês, o IPC-S geral avançou 0,80%, depois de aumento de 0,64% no término de junho.
“O IPCA de junho veio um pouco abaixo das estimativas, mas, em julho, deverá avançar em torno de 1% por conta do recente reajuste na gasolina, no diesel e no gás de cozinha”, alertou o economista André Braz, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), que previa alta de 0,65% no IPCA.
Pelas estimativas dele, o indicador poderá chegar perto de 9% no fim do mês e ultrapassar esse percentual em agosto. “A energia continua cara e há efeitos indiretos na produção industrial e no frete, por conta do diesel, e isso deverá ajudar a pressionar os preços, principalmente, dos alimentos no segundo semestre deste ano”, destacou.
A alta nos preços das carnes, junto com a gasolina e a energia elétrica, deve continuar ajudando a pressionar o IPCA. Os pesquisadores lembram que que a disseminação da inflação continua elevada, em 64% dos itens pesquisados. Ademais, há uma tendência de que a inflação de serviços ganhe força quando o setor ensaiar uma retomada, com o avanço da vacinação. Segundo o IBGE, o IPCA em serviços passou de -0,15%, em maio, para 0,23%, em junho.
“A demanda ainda está fraca, mas existe uma persistência inflacionária que não foi amenizada pelo câmbio mais desvalorizado em junho, mas que está vinculado ao cenário político imprevisível, e, portanto, deverá continuar mais valorizado”, explicou Eduardo Velho, economista-chefe da JF Trust.
Em pronunciamento na semana passada, o senador Paulo Paim (PT-RS) disse que a alta da inflação elevou o custo de vida e está “massacrando as famílias brasileiras”. “Os preços foram às alturas. Entre outros, os da alimentação, do gás, da energia elétrica, dos combustíveis, dos transportes, do vestuário e da água. O governo perdeu o controle”, alertou.
Paim classificou como “erro grosseiro” a decisão do desgoverno Bolsonaro de acabar com a política nacional de valorização do salário mínimo. “O salário mínimo é um instrumento de cidadania e de distribuição de renda, assim como é da política que os salários sejam corrigidos pelo menos pela inflação. Tudo isso afeta o conjunto de salários. Como está, não dá para ficar”, finalizou.
Da Redação