GOVERNO BOLSONARO: UNIÃO É DENUNCIADA POR 200 MORTES EM TESTE NA PANDEMIA
Publicado por Sofia Carnavalli
O Ministério Público Federal no Amazonas denunciou dois pesquisadores e a União por supostos crimes contra a humanidade em um estudo com proxalutamida durante o pico da covid-19 no Brasil, em 2021. O teste terminou com 200 pacientes mortos, 30% do público-alvo, e o MPF pede R$ 85 milhões de indenização. Com informações da UOL.
A droga havia sido criada inicialmente para tratar câncer de próstata e não tinha indicação científica contra covid-19. A pesquisa foi autorizada pela Conep em 27 de janeiro de 2021, mas, segundo a denúncia, os responsáveis alteraram o protocolo aprovado, ampliaram o número de participantes, omitiram riscos no termo de consentimento e incluíram hospitais sem estrutura adequada.
O MPF afirma que a pesquisa funcionou como um “laboratório humano em regime de absoluta clandestinidade e desprezo pela vida”. O órgão diz que falhas éticas, científicas e regulatórias causaram ou potencializaram mortes de pacientes.
O endocrinologista Flávio Cadegiani, responsável pelo estudo, apresentou em 11 de março de 2021 resultados segundo os quais a proxalutamida teria reduzido em 92% as mortes por covid-19. O anúncio foi transmitido pelo YouTube do grupo Samel e circulou nas redes, inclusive com compartilhamento de Eduardo Bolsonaro. Jair Bolsonaro também promoveu a suposta “eficácia” da medicação em uma live.

A denúncia também aponta o uso de nebulização com hidroxicloroquina macerada em soro fisiológico, procedimento classificado como “experimental letal”. Segundo o MPF, prontuários de pacientes mortos confirmam a administração inalatória da substância, considerada de alto risco pela Conep e pelo Conselho Federal de Medicina.
Ao todo, 645 pessoas participaram do chamado “braço norte” do experimento no Amazonas, embora a autorização previsse 294 voluntários em Brasília. O MPF afirma que os pesquisadores levaram irregularmente o estudo para pacientes hospitalizados e em estado crítico, além de descumprirem o dever de informar mortes em até 24 horas.
Em 2021, Cadegiani negou irregularidades, disse que a mortalidade no Amazonas era compatível com o cenário da época e afirmou que o número aprovado pela Conep não era fixo nem máximo.