GOVERNO ENTREGA EXPLORAÇÃO DA BASE DE ALCÂNTARA PARA EMPRESAS DOS EUA E CANADÁ

Instalações do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

PATRIOTA?

FAB anunciou que quatro companhias estrangeiras serão responsáveis pela operação para lançamento de foguetes

Igor Carvalho
Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

 

Governo brasileiro assinou, em março de 2019, o acordo com os EUA que autorizam a exploração do território nacional pelos americanos – Valter Campanato/Agência Brasil

O governo federal anunciou, na última quarta-feira (28), que quatro empresas estrangeiras foram contratadas para realizar as operações de lançamento de foguetes na Base de Alcântara, no Maranhão.

As empresas contratadas pelo governo brasileiro são a Hyperion (EUA) foi selecionada para operar o sistema VLS (SISPLAT); Orion Stat (EUA), que coordenará o lançador suborbital; Virgin Ast (EUA), que será responsável pelo Aeroporto de Alcântara, que está dentro da base; e a C6 Launch (Canadá), que operará a Área do Perfilador do Vento do Centro de Alcântara.

Em cerimônia conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), o governo anunciou que um edital foi lançado em 2020, convocando empresas nacionais e internacionais para explorar o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Agora, as empresas selecionadas negociarão os contratos com o governo brasileiro.

Subordinação

O Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), que concede o uso comercial do centro de lançamento, foi barrado duas vezes pelos brasileiros: no Congresso Nacional, em 2001, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, e por meio de plebiscito realizado na mesma época. Em 2016, o governo Temer se empenhou para aprová-lo, mas não conseguiu.

No dia 18 de março de 2019, o governo brasileiro assinou o acordo com os EUA que autorizam a exploração do território nacional pelos americanos. O tratado foi firmado pelos ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e por representantes do governo estadunidense, após quase 20 anos de negociação entre os dois países. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) acompanhou a assinatura.

A proposta original do governo estadunidense proibia a utilização da base pelo Brasil devido à confidencialidade tecnológica, impondo uma submissão brasileira ao país estrangeiro, que detém 80% do mercado espacial. No novo texto, a expressão “área segregada” foi substituída para “área restrita”, para tentar abafar críticas que questionam a autonomia do país perante o acordo comercial com os Estados Unidos.

Edição: Leandro Melito e Poliana Dallabrida

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