4.249 MORTOS NAS ÚLTIMAS 24 HORAS. SE BRASIL FIZER LOCKDOWN DE 3 SEMANAS, COMO O DE ARARAQUARA PODERÁ COMEMORAR EM GRUPOS DO SEGUNDO SEMESTRE DIZ PEDRO HALLAL
O epidemiologista Pedro Hallal, ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas, ficou surpreso com o resultado mais recente de seu grupo de pesquisa no Rio Grande do Sul: só 10% dos gaúchos foram infectados pelo coronavírus em um ano de pandemia.
Isso significa que, se forem seguidos os conselhos de gente como o dr. Osmar Terra, conselheiro do presidente Jair Bolsonaro e pregador da imunidade coletiva “natural”, até ela ser atingida entre os gaúchos levaria ao menos sete anos.
Parece loucura, mas nestes tempos de bolsonarismo o gaúcho Osmar Terra sempre insistiu que toda epidemia tinha um prazo máximo de 14 semanas — mas a pandemia da covid-19 já passa de um ano no Brasil.
Hallal diz que apesar de o ritmo de vacinação ter acelerado nas últimas semanas no Brasil, se o país não adotar um lockdown nacional de três semanas, o risco é de surgir uma nova variante que escape das vacinas existentes.
Porém, enfatiza o epidemiologista, o lockdown deve ser implementado nos moldes do que aconteceu em Araraquara, no interior de São Paulo, em que até o transporte público foi temporariamente suspenso.
Se o Brasil fizer um lockdown como o de Araraquara, Hallal estima que o número diário de casos, que está na média móvel de 70 mil nas últimas duas semanas, cairá imediatamente para a metade.
Mais do que isso, como foi observado em outras experiências internacionais, os casos continuarão caindo nas semanas subsequentes, reduzindo a pressão sobre o sistema hospitalar.
Se a vacinação atingir a média de 1,5 milhão de doses diárias, afirma ele, no segundo semestre os brasileiros poderiam festejar os feriados em grupo, sem grandes aglomerações, mas ao menos em família — nos Estados Unidos, é esta a expectativa para o feriado do 4 de julho, dia da Independência.
Como você vai ver na íntegra da entrevista, acima, Hallal acha perda de tempo se envolver em polêmicas laterais, pois elas tiram o foco do essencial.
Não adianta falar em ampliação de leitos ou na produção maciça de oxigênio, quando a questão central, segundo ele, é derrubar os números da pandemia com lockdown agora e vacinação em massa ao mesmo tempo.
De acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde, o Brasil registrou 86.652 casos nas últimas 24 horas e 4.249 óbitos, um recorde.