FILÓSOFO VICTOR LEANDRO*: NO CARNAVAL DE MÁSCARAS CAÍDAS, O RISO DOS ESTÚPIDOS

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15/02/2021

Chegamos ao tempo da festa da carne, num país onde ficou impossível comprar carne.

Primeira promessa cumprida – acabar com uma alegria do povo, assim como outras tantas. Não há mais sorrisos em lugar nenhum, ou somente a gargalhada dos cretinos e bancadores da estultice corrupta e pseudomoralista. Uma nação cada vez mais cansada e de rostos que vagam inexpressivos.

Mas tem armas. Sim, tem muitas armas. Porém e de novo, nenhuma delas é para o povo. O foguetório de balas é da milícia. De resto, só a correria em busca do gás que a cada dia aumenta.

Junto a ela a fome, o desemprego, a falta de oxigênio, a sujeição ao crime. E nada de vacina.

Esse é o nosso carnaval. Contudo, há os que dizem ainda que as coisas têm dado certo, que até uma festa inútil foi possível desfazer. Não tem carne nenhuma e contentes falam que esse é o preço.

No meio da calçada, pierrôs e colombinas soluçam.

A rua e o salão estão escuros. Cada dia agora é quarta-feira de cinzas.

*Victor Leandro é filósofo, escritor, analista-politico, novelista, doutor e professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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