PREFEITURA DE MANAUS TEM 10 DIAS PARA DIZER SE GOVERNO BOLSONARO FEZ PRESSÃO PELO USO DA CLOROQUINA

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Determinação é do Tribunal de Contas da União (TCU), que apura ação do governo na distribuição de medicamentos sem eficácia comprovada contra Covid na capital amazonense

 

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O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou, através de despacho assinado pelo ministro Benjamin Zymler nesta segunda-feira (8), que a secretaria de Saúde de Manaus (AM) informe, em até 10 dias, se o Ministério da Saúde pressionou a pasta a usar cloroquina e ivermectina no tratamento de pacientes com Covid-19. Ambos os medicamentos não são eficazes contra a doença do coronavírus e, a depender da forma como são administrados, podem trazer riscos.

Manaus, desde janeiro, vive um colapso em seu sistema de saúde, superlotado por conta da explosão de casos de Covid-19 e com falta de equipamentos e insumos básicos. Naquele mês, o Ministério da Saúde, comandado por Eduardo Pazuello, mandou uma “comitiva” para a cidade que teria visitado Unidades Básicas de Saúde e hospitais e recomendado o uso das substâncias que não encontram respaldo científico contra a Covid-19.

“Informe se houve algum tipo de pressão por parte dos membros da força-tarefa do Ministério da Saúde quando da visita feita no dia 11/1/2021, para que essa unidade de saúde difundisse a utilização de medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina e/ou ivermectina no tratamento precoce dos pacientes com Covid-19 nesse município”, diz um trecho do despacho do TCU

“Caso confirmada essa atuação do MS, solicita a apuração da responsabilidade dos envolvidos e a aplicação das sanções cabíveis diante do exercício das atribuições inerentes aos cargos em desencontro das finalidades a que se destinam os atos”, completa o ministro Benjamin Zymler no documento.

Estudo sobre cloroquina

Um estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) divulgado na última quarta-feira (3) mostrou que a cloroquina provoca danos em células endoteliais, presentes em todos os vasos sanguíneos do corpo humano.

A pesquisa foi conduzida durante o doutorado de Paulo Cézar Gregório, do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia, Parasitologia e Patologia da UFPR.

Para chegar a esse resultado, o pesquisador trabalhou com linhagens de células endoteliais humanas extraídas de vasos sanguíneos, que foram cultivadas na presença de cloroquina, em concentrações incapazes de causar sua morte celular, por até 72 horas.

Durante esse período, a célula induziu, de maneira significativa, o acúmulo de organelas ácidas, aumentou os níveis de radicais livres e diminuiu a produção de óxido nítrico, levando a dano celular. Esse processo, chamado de disfunção endotelial, pode resultar no funcionamento incorreto ou até na morte da célula. Ainda de acordo com a hipótese do estudo, a disfunção endotelial pode afetar a circulação sanguínea, e por consequência, órgãos como coração, rins e pulmões.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista  Toxicology and Applied Pharmacology.

Ivermectina

O laboratório farmacêutico Merk divulgou nota na última quinta-feira (4) em que confirma que não há evidência científica que comprove a eficácia da Ivermectina no tratamento da Covid-19.

“Os cientistas da empresa continuam a examinar cuidadosamente as descobertas de todos os estudos disponíveis e emergentes de ivermectina para o tratamento de COVID-19 para evidências de eficácia e segurança. É importante observar que, até o momento, nossa análise identificou: Nenhuma base científica para um efeito terapêutico potencial contra COVID-19 de estudos pré-clínicos; Nenhuma evidência significativa para atividade clínica ou eficácia clínica em pacientes com doença COVID-19”, afirma a nota.

A decisão contraria as recomendações de Jair Bolsonaro, que prega o uso do vermicida como tratamento precoce da Covid-19. O medicamento faz parte do coquetel recomendado pelo presidente, que em live na noite desta quinta admitiu ainda que a cloroquina, que faz parte do “kit Covid” pode, de fato, ser um placebo no tratamento da doença.

No comunicado, a Merck alertou ainda para a “preocupante falta de dados de segurança na maioria dos estudos”.

 

 

 

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