CHINA FEZ BOLSONARO COMER EM SUA MÃO, DIZ JORNALISTA DE AGÊNCIA ALEMÃ

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25/10/2019 Cerimônia oficial de chegada

(Pequim - China, 25/10/2019) O Senhor Presidente da República, Jair Bolsonaro, acompanhado do Senhor Xi Jinping, Presidente da República Popular da China, cumprimenta parlamentares chineses.rFoto: Isac Nóbrega/PR

“Bolsonaro caiu na armadilha. Pequim agora também decide sobre sua sobrevivência política”, afirma o jornalista Alexander Busch

 

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Correspondente de América do Sul do grupo editorial Handelsblatt (que publica o semanário Wirtschaftswoche e o diário Handelsblatt) e do jornal Neue Zürcher Zeitung, o jornalista Alexander Busch publicou um artigo na agência alemã de notícias Deutsche Welle em que explica “como a China fez Bolsonaro comer em sua mão”, sobre a queda de braço diplomática vencida pelo governo chinês contra Jair Bolsonaro.

“Agora a influência política chinesa no Brasil é maior do que nunca. Bolsonaro caiu na armadilha. Pequim agora também decide sobre sua sobrevivência política”, afirma Busch.

No texto, o jornalista relata a resistência de Bolsonaro em negociar a compra de vacina do laboratório chinês Sinovac, enquanto “seu filho Eduardo e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se revezaram para atacar a China como o culpado por trás da pandemia”.

No entanto, Bolsonaro caiu na “armadilha” chinesa, que já previa a dependência do Brasil em relação aos insumos para produção das vacinas contra a Covid-19 no país, que são produzidas no país comunista.

Com a queda de popularidade diante da inação na pandemia e a exigência dos brasileiros em se vacinarem – além das “condições catastróficas em Manaus e a fraca gestão da crise por parte do ministro da Saúde ” -, Bolsonaro teve que agradecer “gentilmente” a remessa de insumos para o imunizante, enquanto a diplomacia brasileira precisou abrir portas para aquilo que o próprio governo mais temia.

“Nos bastidores, o ministro das Comunicações, Fabio Faria, teve que mexer os pauzinhos. Pois não há dúvidas sobre o que a China espera em troca de entregas rápidas de vacinas: o acesso irrestrito da Huawei na licitação da rede G5”, afirma o jornalista, relatando os movimentos do governo brasileiro para permitir que a empresa chinesa possa entrar na concorrência.

“No futuro, é provável que as escolas diplomáticas em todo o mundo analisem em detalhes a estratégia da China em relação ao Brasil nos últimos meses. É uma jogada de mestre como Pequim, a partir de uma posição de fraqueza, domina agora as relações com o Brasil”, relata.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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