NOTA PÚBLICA DA ADUA

Odeio os indiferentes.
A indiferença é o peso morto da história
(Antonio Gramsci)

Neste momento em que a pandemia da Covid-19 grassa em todo
território nacional, mas em especial no Estado do Amazonas, trazendo
sofrimento e morte em série para a população, sobretudo os
empobrecidos e povos indígenas, provocada pela insegurança sanitária
e agravada pela omissão e falta de compromisso político dos governantes, a ADUA vem a público para:

01. Solidarizar-se com os servidores da UFAM (técnico-administrativos,
professores e alunos) que perderam e continuam a perder parentes e
amigos de trabalho de nossa instituição em decorrência da pandemia de
Covid-19, ao mesmo tempo em que expressa igual solidariedade à
população desassistida pelo Estado em todo o Amazonas;

02. Denunciar a gravíssima omissão institucional das autoridades no âmbito
federal, estadual e municipal que, mesmo dispondo de meios e poder,
negligenciam, de forma criminosa e injustificável, sua obrigação de
garantir à população o direito constitucional à saúde e integridade da
vida;

03. Responsabilizar o Estado brasileiro, na pessoa de seu governante maior,
por negligenciar e sabotar as medidas sanitárias preconizadas pela
Organização Mundial da Saúde para conter a tragédia humana e social
da pandemia em curso, cujos efeitos mais devastadores se dão entre os
socialmente mais vulneráveis: povos indígenas, população negra e classe

trabalhadora, de modo especial os trabalhadores desempregados e os que
sobrevivem da informalidade;

04. Declarar que a vida humana tem precedência sobre a economia. Nenhum
teto de gastos se justifica diante do genocídio em curso. O Brasil dispõe
de reservas financeiras suficientes para garantir renda mínima para sua
população enquanto perdurar a fase aguda da pandemia e não se concluir
a vacinação. Sem isso será impossível viabilizar as medidas de
isolamento social, fechamento (lockdown) e suspensão de atividades não
essenciais;

05. Exigir, de forma emergencial: a) vacinação já para todos; b) suspensão
imediata das provas do ENEM; c) intervenção temporária, por parte do
Estado, para que a estrutura de serviços de saúde da rede privada seja
posta a serviço de toda a população e sob o controle do SUS; d) isenção
temporária das taxas de água e energia das famílias dos trabalhadores
desempregados, subempregados e informais; e) direcionar a estrutura
produtiva industrial para o enfrentamento da pandemia; f) renda mínima
já;

06. Propor a construção de uma frente emergencial de ação com a presença
de movimentos, associações, partidos, igrejas, instituições, sindicatos,
centrais sindicais para coletivamente, de forma solidária e classista,
enfrentar a pandemia e denunciar a necropolítica da burguesia e
ultraburguesia, com seus ataques aos direitos sociais e desmonte dos
serviços públicos;

07. Afirmar, por fim, que nossa ADUA, Seção Sindical do ANDES –
Sindicato Nacional, não arredará um palmo de sua luta em defesa dos
serviços públicos, da educação pública, gratuita, laica, de qualidade e
socialmente referenciada. Em memória dos que tombaram na luta,
dizemos: INIMIGOS DA VIDA, NÃO PASSARÃO! Esta luta é nossa e
de cada indivíduo coletivo.

Diretoria da ADUA – biênio 2020-2022
Manaus, AM, 13 de janeiro de 2021

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