TRUMP SE ESTROMPA E A ULTRA-DIREITA SENTE A LESÃO
HANDOUT - 07 March 2020, US, West Palm Beach: US President Donald Trump (L) welcomes Brazilian President Jair Bolsonaro ahead of their meeting. Photo: Alan Santos/Palácio do Planalto/dpa - ATTENTION: editorial use only and only if the credit mentioned above is referenced in full 07/03/2020 ONLY FOR USE IN SPAIN
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Breve lembrança sobre o significado lúdico-peladeiro de estrompar.
Estrompar na semiótica comum carrega a indicação de gastar, romper, sofrer danos, etc. O que significa ser o estrompamento consequência da ação de um corpo sobre outro. Este enunciado remete, com clareza, para o estado que fica o trabalhador no sistema capitalista que de tanto ser explorado em sua força de trabalho é transformado em uma peça da engrenagem capitalista como um sujeito-estrompado. Trata-se do encontro entre duas forças-opostas: o trabalhador que produz riqueza contra o capital-parasitário que lhe explora e o deixa estrompado.
No significado lúdico-peladeiro, estrompar apresenta algumas partículas relativas à semiótica comum, mas prevalecendo a ludicidade-peladeira-futebolística, visto que estrompar remete para jogada bruta, irracional, genuinamente muscular. Jogada em que um dos peladeiros chega batendo no adversário em um lance desproporcional ao jogo. Quase sempre quem estrompa é o zagueiro, embora os todos jogadores possam ser estrompadores. “Este cara não sabe jogar! Ele só joga estrompando!”. “Tô fora! Futebol não é para cavalo”. Claro, que o cavalo não tem nada a ver com o estrompamento dito humano. Cavalo não estrompa. Vive sua essência-natural.
O caso do momento, a derrota de Trump para os democratas norte-americanos, oferece vários seguimentos para serem analisado. Entretanto, um solta aos olhos posto que implica seu estar no mundo e sua propagação enquanto presidente da considerada mais forte potência mundial. Que o chineses não saibam.
Trump é considerado o grande líder da ultra-direita também significada em nazifascismo. E como é sabido, o nazifascismo não pode ser conceituado como humano. Na linguagem lúdica-peladeira, ele não conhece a expressão e o conteúdo da pelada, em função de jamais ter vivenciado a mesma. Posto que a pelada é um encontro-lúdico dos que fazem suas regras produzidas coletivamente. Todo peladeiro, no momento da pelada, é o coletivo-pelada. Razão, porque não aceitam, rejeitam e denunciam o estrompador.
O ente estrompador de Trump, se reflete em sua brutalidade, arrogância, prepotência, ignorância e simulação da existência. Traspassado por este ente-estrompador, Trump não se comprometeu com temas essenciais da existência da vida cotidiana de seus conterrâneos e do mundo. Não realizou uma política de defesa ambiental como forma de proteção da natureza. Pelo contrário, serviu para estimular outros seus iguais, como Bolsonaro. Não atuou em defesa da paz mundial. Não proporcionou qualquer ideia de combate ao racismo, luta contra a misoginia, defesas das minorias imigrantes, principalmente os latinos que se encontram marginalizados na sociedade branca, machista, exploradora estadunidense. Não produziu uma agenda positiva referente aos direitos humanos. Foi um verdadeiro negacionista do viver, viver bem, com os outros.
Dominado por um ego-narcísico-prepotente, não percebeu que a cada momento se auto-estrompava. Não percebeu as forças antagônicas que se apresentavam como potência democrática que fluía na sociedade civil. Em seu delírio-narcísico, acreditava ser o senhor imbatível com proteção de aliados espalhados pelo mundo.
Agora, como todo arrogante-prepotente, quando se defronta com a derrota, liga o mecanismo de defesa dos combalidos, e bate os pés infantilizados pela cabeça com a mesma qualificação, vociferando que não aceita a derrota. Que continua presidente. Um verdadeiro espetáculo nietzscheano: sofro, a culpa é tua. No caso dele: a democracia norte-americana simbolizada em Joe Biden.
Mas, o estrompamento de Trump, não se reduziu apenas ao seu corpo pragmático-calculista-nacional. Também se desdobrou em seus seguidores que embeiçados não perceberam, por índole, que ele não passava de um paspalhão-farsesco desnecessário para a democracia-mundial. E como representam o mesmo corpo ideopsicológico de Trump, agora sentem mais profundamente a lesão contraída pelo estrompamento-liderante.
Entretanto, internacionalmente, o que mais tem sentido a lesão provocada pelo estrompamento-trumpiano, é Bolsonaro, o submisso. Aquele que beijou a bandeira norte-americana símbolo de Trump. E não a bandeira norte-americana representação da democracia. É que a bandeira de um país se transforma de acordo com a consciência de seus dirigentes. Observamos no Brasil esta transformação. Nazifascistas, ultra-direitistas, envergam a bandeira brasileira como o símbolo representativo de suas ideias. Assim, como os democratas consideram-na como a liberdade nacional, já que a democracia é a singularidade-política do humano. Enquanto, para o nazifascismo, ultra-direitismo, é a particularidade da aberração.