DILMA ROUSSEF: PARTICIPAÇÃO MILITAR NO GOLPE DE 2016
Temer admite que ajudou a criar esquema militar para sustentar ruptura da normalidade democrática
Tudo indica que o relato feito por Michel Temer para um livro que está para ser lançado é o novo ato de sincericidio de um homem que será sempre atormentado pela história como um golpista que traiu o governo ao qual pertencia e, agora, segundo a imprensa, confessa que conspirou para derrubar a democracia.
Desta vez, descobre-se que Temer não apenas se beneficiou de um golpe de estado como participou diretamente da criação de um esquema militar para dar sustentação à ruptura da normalidade democrática.
As inconfidências de Temer sobre a realização de várias reuniões fechadas com o comandante do Exército e outro general são novos fragmentos de informação que, reunidos às revelações involuntárias de Romero Jucá, exatamente na mesma época, compõem um quadro indicando que o golpe que me destituiu da presidência em 2016 não foi apenas parlamentar, midiático e judicial, mas também de natureza militar.
Agora, diante de mais um sincericídio de Temer, ganha veracidade aquilo que Romero Jucá afirmou em conversa gravada e vazada legalmente na época em que o então vice-presidente buscava apoio nos quarteis: os militares deram, no mínimo, sinal verde para o golpe e, para evitar manifestações, monitoravam o MST.
As confissões de Temer e Jucá se completam e se confirmam.
Cometido o golpe, na forma de um impeachment sem crime de responsabilidade, os militares com quem Temer se reuniu seguidas vezes enquanto se tramava a derrubada do governo ficaram ao lado do novo presidente – um deles mantendo o comando do Exército, o outro sendo nomeado chefe do Gabinete de Segurança Institucional.
E assim, pouco a pouco, a verdade vem à tona e a história vai sendo contada.
Artigo desta semana do jornalista Rubens Valente cobra mais explicações sobre o protagonismo de Temer no golpe e a participação de pelo menos dois generais no processo que levou ao impeachment.