AMAZONINO, CANDIDATO À PREFEITURA DE MANAUS, TEM MARKETING PATRIARCAL-EDIPIANO-MÍSTICO

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  O Pai é a Lei, diz o psicanalista Lacan. O Pai não se reduz ao corpus-biológico. Ele é o discuso semiótico da ordem do significante determinante da instalação do registro do não-desejo: O Poder. O Pai é o objeto-desejado e refutado. A Mãe é o social. A Mãe não se reduz ao corpus-biológico. Ela é a introdutora do filho na ordem da socialidade. A educadora. A Mãe é a sociedade realizada por via do imaginário-simbólico. Antes do pai e da mãe biológica, há o Pai-Lei e a Mãe-Social. Nenhum homem se faz pai em função de sua sexualidade, assim como nenhuma mulher se faz mãe em função de sua sexualidade. Antes dos descendentes há a Lei e o Social.   

Sendo o Pai a Lei, há pai por todos os lugares simbolizado pelos intercursos do imaginário como escudo da ordem do poder. As malhas do pai se derramam pelas instituições como forma de proteção, satisfação e castigo. O pai legislador é uma herança do Édipo freudiano. Um Édipo mistificado, mitificado, reificado, portanto, alienador. Com Freud, onde há pai-simbólico como discurso do poder instituído, há alienação. As formas estruturais do capitalismo. Sem estas quatro formas não haveria a dogmática-paranoica-dominante do capitalismo

  É na triangulação do Complexo de Édipo freudiano que emerge a figura legisladora do discurso-enunciativo do pai. O filho investe sua libido-narcísica na mãe, mas é impedido na meta pelo pai. Parte da libido segue, como  resíduos, para alimentar o inconsciente e outra parte é sublimada como neurose ou psicose. O pai surge para a criança como a autoridade que lhe protege, dando segurança, mas que lhe castiga. Um ser-superior revelador de sua força castradora. De acordo como a criança vivencia seu Édipo, ela será um adulto independente ou continuadora da ameça repressora do pai. No primeiro caso, politicamente, um democrata. No segundo caso, politicamente, um reacionário, que sem saber ainda segue as ordens-castradoras do pai. Trata-se de pura mistificação, mitificação, reificação que se materializa na objetividade como falsa crença religiosa, já que Deus surge como um simulacro para proteger o edipiano de seus medos e fortalecer suas fantasias-onipotentes.

A doutrina religiosa sintetizada no patriarcalismo-falocentrismo-burguês, no mundo Ocidental, tem forte componente-castrador-edipiano. Foi por esta razão, que os filósofos Deleuze e Guattari afirmaram que há Édipo por todos os lados. E é preciso ter cuidado com Édipo. Eles são profundamente-fantasiosos. As relações surgem sempre como enunciações-significantes-edipianas. No casamento, no trabalho, na escola, no shopping, no esporte, no sexo, no entretenimento, na religião, etc., todas expressam claramente a concretitude quadricular de Édipo. 

É nesse quadro-edipiano que o marketing  da candidatura de Amazonino Mendes, à prefeitura de Manaus, se mostra. Os componentes-edipianos soltam aos sentidos e a razão, só não aos mistificados, mitificados, reificados e alienados. Pai TáON remete aos componentes imaginários, simbólicos, só não ao real. Envolvido nesses componentes, o eleitor vota pré-determinado. Não realiza a máxima do filósofo Descartes: Penso, Logo Existo. Ou, voto, logo sou racional-democrata. No inconsciente e no super-ego social reificado não ha razão-democrática. Esses componentes remetem sempre ao simulante da deificação.

Mas, o marketing de Amazonino não fica só nas diatribes de Freud. Chega as ilusões-virtuais-teologizadas. Falsamente, claro. O mundo virtual é um mundo sem espaço e sem tempo empírico. Não há experimentação imediata. Não há possibilidade de percepção clara e distinta, como diz o filósofo Spinoza. ON significa vulgarmente tá ligado na rede. Tá na rede. Em nenhum lugar e em todos. É aí que entra a fantasia de ser Deus. Deus encontra-se em todo lugar e em nenhum. Se estivesse em um lugar definido perderia sua onipresença, e não seria Deus. A rede-virtual permite aos seus usuários a doce-ilusão (não esquecer: ilusão é a dissipação do real) de ser Deus: onipresente espaço e temporalmente. Mas não onisciente. Se assim fosse, não seria uma partícula encadeadora da rede. Não estaria reificado em um componente ON. É aí que Deus escapa. Ufa!

E ainda tem aquela do significante ON, em sua fonemática se mostrar como OM. Aí, tudo transcende de vez. OM é a entidade-sagrada Indu  que significa elevação e graça espiritual. Transcendência-Metafísica. É mole? Amazonino Deus, Pai, ON e OM. Seria o êxtase do espiritual que nenhum mortal alcançou. Nem Buda. 

Para isso que serve marketing: para iludir os reificados que não sambem que a coisa não reflete sua potência criadora. O trabalhador jamais é a mercadoria, já diz Marx. 

Como redunda sempre o filósofo Zé da Zilda: Não Há Vida Inteligente no Marketing. 

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