DESVIO DE VERBAS AMPLIOU FORÇA DE “MISSÃO EVANGELIZADORA” DE DAMARES
A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, durante cerimônia de assinatura de acordo de cooperação técnica para estabelecimento de políticas públicas de combate à violência doméstica e familiar
A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, é suspeita de ter tentado interferir, através de assessores, no aborto autorizado judicialmente de uma menina de 11 anos de idade, vítima de estupro.
De acordo com a Folha de S. Paulo, o plano era preservar o bebê e eventualmente fazer o parto em um hospital ligado à Igreja Quadrangular.
Damares nega.
Agora, entidades indicadas por ela aparecem como principais beneficiárias do desvio de R$ 7,5 milhões, que a empresa Marfrig doou em março ao governo federal para a compra de testes de Covid-19.
Foi em março que a Organização Mundial da Saúde declarou oficialmente que o coronavírus provocava uma pandemia e orientou os países-membros a “testar, testar e testar”, com o objetivo de descobrir logo os casos e isolar os pacientes infectados.
Em vez disso, o governo Bolsonaro desviou os R$ 7,5 milhões para o programa Pátria Voluntária, da primeira dama Michelle, que tem como objetivo promover o voluntariado.
O Brasil tem quase 144 mil mortes por coronavírus, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
O Instituto Missional e a Associação de Missões Transculturais brasileiras foram as maiores beneficiárias do dinheiro do Pátria Voluntária. Receberam R$ 632 mil destinados a cestas básicas.
As duas entidades são ligadas à evangelização.
Detalhe relevante na nova denúncia da Folha de S. Paulo: o programa da primeira dama arrecadou um total de R$ 10,9 milhões, dos quais R$ 4,3 foram aplicados até agora sem qualquer edital público.
Em outras palavras, o caráter eleitoral e de missão evangelizadora, inclusive de indígenas, fica claro na ação combinada da primeira dama com a ministra Damares.