PAULO PIMENTA: É INDISPENSÁVEL MOBILIZAR A SOCIEDADE PARA GARANTIR QUE HAJA ELEIÇÕES EM 2022

Foto Ricardo Stuckert

POLÍTICA 


Entre a democracia e o simulacro de democracia

por Paulo Pimenta*

Empresa não faz autocrítica. Empresa realinha procedimentos para alcançar seu objetivo, que sempre é bastante concreto: Lucro. Acumulação.

Enquanto apresentava para a sociedade brasileira – somente cinquenta anos depois — o reconhecimento público de que apoiou o criminoso golpe de 1964, considerando-o “um equívoco”, a Rede Globo de Televisão se empenhava na preparação do golpe de 2016. Mais um no seu currículo.

Aí está a base que sustenta os movimentos táticos da família Marinho nesse momento de dificuldades: colocar-se na condição divina de ente tutelar da nação e recomendar que já é hora de “perdoar o PT”.

Isso apenas alguns dias depois de seus porta-vozes virem a público para reconhecer a possibilidade da candidatura de Lula a presidente em 2022, diante da ruína em que se converteu a construção política das sentenças de Sérgio Moro contra o ex-presidente. O que prova apenas que a Globo tem pressa.

Oligopólio

A evolução do conflito político em que se debate o Brasil em meio a uma pandemia que alcança proporções de um genocídio, somada a uma crise econômica que se aprofunda com inevitáveis repercussões sociais, indica que o oligopólio da família Marinho – como definiu em entrevista recente o jornalista Franklin Martins, “o segundo maior partido do país” – entende que é preciso deter o ex-capitão antes que ele venha a fechar a empresa, negando-lhe a renovação da concessão ou sufocando-a economicamente.

Ocorre que os problemas do Brasil nem sempre coincidem com os problemas de caixa da Rede Globo.

O país tem diante de si o desafio complexo de construir uma frente democrática voltada a reestabelecer a Constituição de 1988, violada pelo Golpe de 2016 – diga-se, com a sempre prestimosa contribuição da família Marinho – e recuperar o Estado Democrático de Direito.

Capitão golpista

Na última semana, mais uma ameaça de golpe veio a público.

Desta vez nas páginas da revista Piauí. A revista denuncia a disposição do presidente da República de enviar tropas para fechar o Supremo Tribunal Federal, caso insistisse em pôr as mãos nos celulares do pai e do filho.

“Vou intervir” teria dito Bolsonaro em reunião. Até o momento a denúncia da Piauí não foi desmentida pelo governo. E o STF não emite qualquer reação.

A direita convencional do Brasil colhe hoje as consequências de ter-se colocado sob a hegemonia política e cultural da extrema-direita neofascista para executar o programa ultraliberal em curso.

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