ADOLESCENTE QUE MORREU NO RIO FOI TRATADA COM CLOROQUINA. FIOCRUZ DEFENDE PESQUISA FEITA EM MANAUS

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Reprodução do Facebook

POLÍTICA


17/04/2020.

Da Redação Portal Fórum.

Em plena pandemia de coronavírus, quando o Brasil está a caminho de atingir o pico de infecções, pesquisadores que suspenderam um estudo sobre o uso da cloroquina em Manaus estão sob ataque.

Eles concluiram que a droga, em determinada dosagem, poderia causar óbitos.

“Como a doença começou na China, os chineses usaram uma quantidade alta, porque era a que poderia matar uma maior quantidade de vírus. Aqui no Brasil, a Fundação de Medicina Tropical auxiliou o Ministério da Saúde e a Secretaria de Ciência e Tecnologia a construir um guia de uso da cloroquina em pacientes graves”, explicou o pesquisador Marcus Lacerda.

Sete dos pacientes que receberam a dosagem mais alta morreram, especialmente por problemas cardíacos.

O remédio está sendo estudado em todo o mundo como possível forma de enfrentar a covid-19, inclusive como profilático.

Os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro pregam o uso da cloroquina mesmo sem que tenham sido concluídos estudos científicos a respeito.

Por enquanto, há apenas indícios anedóticos, pró e contra.

No Rio, por exemplo, uma adolescente de 17 anos morreu depois de ficar mais de duas semanas na UTI. Ela foi tratada com o remédio.

Kamylle Ribeiro foi tratada dentro do protocolo adotado pelo Ministério da Saúde, informou o UOL.

O sonho de Kamylle era ser médica.

O Ministério normatizou o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em situação de emergência, com monitoramento do coração.

Por causa de ataques políticos, incentivados pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, a Fiocruz teve de tomar a decisão extraordinária de emitir uma nota em defesa da pesquisa científica.

NOTA DE DEFESA DA CIÊNCIA E DOS PESQUISADORES DA FIOCRUZ

O Conselho Deliberativo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vem a público manifestar seu apoio aos pesquisadores responsáveis pelo estudo CloroCovid-19, que vem sendo realizado por mais de 70 pesquisadores, estudantes de pós-graduação e colaboradores de instituições com tradição em pesquisa, como Fiocruz, Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, Universidade do Estado do Amazonas e Universidade de São Paulo.

A instituição considera inaceitáveis os ataques que alguns de seus pesquisadores vem sofrendo nas redes sociais, após a divulgação de resultados preliminares com o uso da cloroquina em pacientes graves com a Covid-19.

Estudos como esse são parte do esforço da ciência na busca por medicamentos e terapêuticas que possam contribuir para superar as incertezas da pandemia de Covid-19.

A pesquisa CloroCovid-19 permanece em andamento e foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

A Fiocruz tem trabalhado incansavelmente em diversas frentes de atuação e vem a público clamar pela tranquilidade e segurança de seus pesquisadores, requisitos essenciais para o desenvolvimento de seus estudos.

É fundamental alertar que a busca por soluções não pode prescindir do rigor científico e do tempo exigido para obtenção de resultados seguros e que as pesquisas devem se manter, portanto, fora do campo narrativo que constrói esperanças em cima de respostas rápidas e ainda inconclusivas.

A Fundação apoia incondicionalmente seu corpo de pesquisadores, que estão absolutamente comprometidos com a ciência e com a busca de soluções para o enfrentamento dessa pandemia, e reafirma seu compromisso com a missão de produzir, disseminar e compartilhar conhecimentos e tecnologias voltados para o fortalecimento e a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e para a promoção da saúde e da qualidade de vida da população brasileira.

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