LEMBRANÇA DO SERMÃO DA MONTANHA AO MISTIFICADO FARISEU COM SEU JEJUM

PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG

A discrição é um dos fundamentos éticos do Cristianismo-Original. O Cristianismo pregado pelo filho de Maria que tem do outro o sentido de seu desdobramento como objeto de seu Amor-Absoluto. A respeitabilidade como prática do texto sagrado. Amabilidade. Afabilidade.  Clareza respeitosa na vita-ativa da comunicação.

 A discrição é a práxis dos que enunciam Cristo em seus atos sem qualquer laivo de busca de reconhecimento por tê-los assim praticado. A discrição é a contra-propaganda frente a egolatria. O ego-exacerbado que em seu estado-enfraquecido teme a vida. Daí, a necessidade compulsiva de busca de reconhecimento. Tudo que nega Cristianismo-Original. Tudo que pratica o fariseu.

O fariseu, sujeito-sujeitado pela força valorativa do sistema delirante de poder que cultua, defende e propaga, é o exemplo irrefutável deste tipo cujos atos refletem o seu ego-hipócrita, por tal, sua máxima é: Fazer o bem e propagar ao mundo. Hipocrisia-dupla visto que nenhum fariseu consegue realizar qualquer bem. E como é impotente frente ao bem, ele propaga a mentira. Ou seja, a constituição reativa de sua condição inativa. Em verdade, diz o filósofo Nietzsche, o seu ressentimento contra a vida ativa. O sentido-impotente de seu ego-mistificado. O exemplo cristalino de que nunca vivenciou o mundo como comunidade-alteridade cujo respeito ao outro é fundamento da Existência. 

No momento em que o mundo experimenta a angústia da liberdade em que todos perderam os referencias-críveis que direcionavam suas existências cotidianas, e que, agora, encontram-se enfraquecidos diante de uma força-deletéria, e emerge a necessidade do engajamento-existencial como afirmação da liberdade-humana para a criação de outra forma de Existir, o fariseu continua com seu ego-exacerbado impulsionando sua hipocrisia. Ele diz que vai jejuar pela volta da normalidade. Sabe-se: o fariseu não sabe o que é normal, visto que nunca vivenciou o mundo-real, mas, tão somente, a subjetividade mistificante, daí ser um alienado, como afirma o filósofo Marx.

Em sua abstração-compulsiva, ele jamais alcança o Sermão da Montanha: “Quando jejuas, unge a abeça e lava o rosto, a fim de que os homens não vejam que jejuas”. O jejum não é um ato narcísico-egolátrico necessitário de reconhecimento. É um ato-íntimo de louvor do Cavaleiro da Fé ao Absoluto. O jejum do fariseu é a ostentação-sádica-masoquista como medo da vida. 

No sentido do Cristianismo-Original, o jejum do fariseu não reflete Deus, porque é contra a vida. Condição-natural que ele mais teme e treme. É em função desta miserável-subjetividade que o filósofo Kierkegaard afirma:

“Se as pessoas que, nos nossos dias, vão lançando palavras ao vento a respeito da ideia de comunidade se dessem somente ao trabalho de ler o Novo Testamento, talvez pensassem de outra maneira”.

Mas o fariseu não tem o dom da leitura. Ainda mais quando ela é sagrada.  

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