OS SABERES NAZIFASCISTAS NÃO SERVEM PARA A DEMOCRACIA

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O saber é um composto de partículas cognitivas concebidas pelas experiências intermundanas  do sujeito-cognoscível. Em outra enunciação, o saber é o produto da vivência do homem resultante de seu encontro com a matéria. Por isso, não há saber nascido exclusivamente no interior do sujeito do conhecimento como querem os idealistas-subjetivistas.

O saber como conhecimento, é produto da relação empírica do homem com a objetividade. É o reflexo da natureza-naturante sobre o homem natureza-naturada. O posicionamento filosófico e científico na jornada antropológica do existir como comunidade de saberes e dizeres, porque todo saber remete a um ou mais dizer. Movimentando-se dialeticamente, todo saber implica o dizer. 

O saber como partículas-cognitivas dispõe o homem a especular a realidade através de operações mentais, laborais, imaginárias, recordativas e criativas. O saber cria o mundo-humano. É o saber-produtivo do trabalhador que cria o mundo, diz Marx. O saber engaja o homem em sua existência como responsável por sua condição particular e universal. A sua contínua movimentação como vocacionado para a totalização-mundana do conhecimento. 

Existem variadas formas de saberes e dizeres com variadas formas de conteúdos. Porque os saberes e dizeres, como signos-epistemológicos, se concretizam por meio da práxis e da poiesis transformando a teoria, o ato de ver, em ação, o ato de criar. Andar em uma rua conhecida ou desconhecida é um exercício sapiente. Preparar uma comida, uma bebida, é uma prática cognoscível. Mentir, é uma saber e dizer que o mentiroso lança mão para desrealizar a objetividade em seu benefício por senti-la contrária a sua vontade. Até o amor é um saber. Bem disse o poeta Drummond, “Amar se aprende Amando”. 

Historicamente, os saberes e dizeres, principalmente os coletivos, foram se estruturando e se alojando como representações sociais. Não há sociedade sem saberes e dizeres, é óbvio. Alguns se transformando em costumes pela tradição de seu uso, onde estão incluídos os saberes e dizeres-culturais de cada povo. Sejam os alcunhados povos civilizados ou os alcunhados primitivos. Todos, conseguiram produzir suas arqueologias de saberes e dizeres, como diria o filósofo Foucault, que não é nada mais do que sua espiritualidade. Sua alma-singular. 

   Porém, existem saberes e dizeres necessários e saberes dizeres desnecessários ou contingentes. Os saberes e dizeres necessários são os saberes e dizeres que trabalham, na afirmação da existência. Os que engajam os homens e mulheres no mundo como produtores da história. A história que afirma que existir é um ato de alegria-criativa que só é experimentada pelos homens e mulheres-livres que produzem “as paixões positivas que constroem as relações e determinam a alegria”, como maravilhosamente afirma o filósofo Toni Negri. Homens e mulheres que sabem, junto com Toni Negri “que não se tem que passar pelas privações, não é uma condição da filosofia”. Ciências, filosofias, artes, todos os saberes e dizeres construtores contínuos da história sensitiva, racional e ética.

Já os saberes e dizeres desnecessários são os propagados pelos contingentes de aberrações claramente conhecidos como nazifascistas. Se os saberes e dizeres dos homens e mulheres produtores da história são democráticos, os saberes e dizeres dos nazifascistas são, como é óbvio, a-históricos e, consequentemente, antidemocráticos. Como a história é o movimento coletivamente vital do homem a morte, neste caso, surge apenas como uma pendência-ontológica da existência humana, como diz o filósofo Heidegger. Nunca como culto, da forma tanática como os nazifascistas exaltam. 

Os saberes e dizeres dos nazifascistas são produtos de seus ódios por terem nascido. Eles não suportam a vida. Para eles a vida é uma condenação, um castigo. E eles não perdoam em si o fato de serem também natureza e não poderem se desvencilhar dela a não ser na morte. Como ela continua pulsante neles, como entes fisiológicos, vistor que sensorial, intelectiva e eticamente são atrofias, eles projetam essa impotência nos que eles consideram como seres-felizes. E no sentido coletivo, a democracia é o regime político dos homens e mulheres felizes. Onde não há espaço para os malogrados ontologicamente.

Certo que a democracia que aqui se trata é a democracia real, não a espectral, a fetichizada, mistificada, produto da dor golpista. O corpo terrorífico cujos saberes e dizeres não servem à comunidade-democrática.

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