“MORO AJUDOU A DERRUBAR A ESQUERDA E AGORA ASSUMIU CARGO POLÍTICO”, ESCREVEU PROCURADORA QUE QUESTIONA CONTEÚDO DE MENSAGENS

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29/06/2019.


Se eu pegar um papel escrito e dizer que foi fulano que escreveu, há o teste grafotécnico. Na escrita digital, não é diferente. A extração de dados tem que ser feita de forma a possibilitar a conferência. Sem esse cuidado, não pode ser considerado sequer “prova“. Monique Cheker, que não assume a veracidade das mensagens publicadas em nome dela.

Da Redação Viomundo

Novos diálogos vazados pelo Intercept Brasil mostram que procuradores do Ministério Público Federal e da Lava Jato, inclusive o chefe da Força Tarefa de Curitiba, Deltan Dallagnol, eram contra a indicação de Sérgio Moro para o Ministério da Justiça no governo de Jair Bolsonaro.

“Temos uma preocupação sobre alegações de parcialidade que virão”, escreveu Dallagnol à colega Janice Ascari.

Anteriormente, em conversa com outro colega, Janice já havia concluído: “Moro se perdeu na vaidade. Que pena”.

João Carlos de Carvalho Rocha, o procurador com quem Janice conversava, lembrou-se de um episódio histórico, a República do Galeão, quando investigadores trabalharam ativamente para incriminar o então presidente Getúlio Vargas, que depois viria a cometer suicídio.

No resumo da Folha sobre o episódio:

“República do Galeão” foi como ficou conhecida a Base Aérea do Galeão, no Rio, quando lá foi montado, em agosto de 1954, um aparato da Aeronáutica para interrogar suspeitos no atentado da rua Tonelero. No atentado foi ferido Carlos Lacerda, o principal opositor público do então presidente Getúlio Vargas, e morreu o major da FAB Rubens Vaz. Os interrogatórios transcorriam em meio à crise do governo e às acusações de corrupção contra o presidente e aumentavam a pressão sobre Vargas. O chefe de sua guarda pessoal, Gregório Fortunato, acusado de ser o mandante do atentado, foi preso e interrogado na base. A “República do Galeão” só foi dissolvida após o suicídio de Vargas.

Embora Carvalho Rocha não tenha feito menção direta a isso, é óbvio o paralelo com o ex-presidente Lula, cuja condenação imposta por Moro no caso do tríplex foi o passo inicial para tirá-lo da disputa eleitoral de 2018.

Desde que Lula foi condenado, o PT fez deste seu mote principal: teria sido uma ação política de Moro.

Numa mensagem de primeiro de novembro de 2018, a procuradora Monique Cheker acabou assumindo, privadamente, que o argumento petista ganhava força com o ex-juiz federal no Ministério da Justiça de Bolsonaro: “Moro ajudou a derrubar a esquerda, sua esposa fez propaganda para Bolsonaro e ele agora assume um cargo político. Não podemos olhar isso e achar natural”.

Cheker é uma das mais ferrenhas defensoras da Lava Jato. Chegou a sugerir que ministros do STF levaram dinheiro para dar decisões contrárias à operação.

“Não há limite. Vamos pensar: os caras são vitalícios, nunca serão responsabilizados via STF ou via Congresso e ganharão todos os meses o mesmo subsídio. Sem contar o que ganham por fora com os companheiros que beneficiam. Para quê ter vergonha na cara?”, ela escreveu no tweeter, motivo pelo qual foi aberta uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público.

Cheker se defendeu dizendo que não tinha feito referência a ministros do STF como os que “ganham por fora”.

A procuradora nunca escondeu seu antipetismo.

Quando o ex-presidente Lula foi preso, Cheker fez piada no twitter: “Em direção ao IML. Vão fazer teste de alcoolemia?”.

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