A QUEM INTERESSAVA O SILÊNCIO DA FORÇA TEREFA DA LAVA JATO NA RETA FINAL DA CAMPANHA DE 2018?

0
captura-de-tela-2019-06-29-axxs-13.10.44


29/06/2019.

Da Redação Viomundo

Na mais recente divulgação de mensagens trocadas entre procuradores do Ministério Público Federal, integrantes ou não da Lava Jato, há críticas ao repentino silêncio da Força Tarefa durante a campanha eleitoral de 2018.

Uma delas partiu da procuradora Jerusa Viecili, de Porto Alegre.

Ela manifestou preocupação, por exemplo, quanto às ameaças de candidatos ao Planalto de não respeitar a lista tríplice na nomeação do futuro Procurador Geral da República.

Os presidente Lula e Dilma Rousseff sempre indicaram os primeiros colocados na lista votada por procuradores de todo o Brasil.

Embora Jerusa não tenha nomeado os “candidatos” a que se referia, Jair Bolsonaro disse durante a campanha eleitoral que não necessariamente respeitaria listas tríplices em suas indicações.

“Mais grave, ainda, assistirmos passivamente, ameaças à liberdade de imprensa quando nós somos os primeiros a afirmar a importância da imprensa para o sucesso da Lava Jato”, acrescentou a procuradora na mensagem.

Jerusa escreveu ainda que não gostaria de ver a Lava Jato como “co-responsável pelos acontecimentos eleitorais de 2018”.

A mensagem é de 25 de outubro de 2018, a três dias do segundo turno das eleições, disputado entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad.

Alguns dias depois, com Bolsonaro já eleito, o vice-presidente Hamilton Mourão confirmou que a sondagem ao juiz federal Sérgio Moro, estrela da Lava Jato, para se tornar ministro da Justiça, havia ocorrido entre o primeiro e o segundo turno das eleições.

O convite informal aconteceu depois de uma decisão de Moro que claramente prejudicou o candidato do PT, Fernando Haddad, e beneficiou Jair Bolsonaro.

A seis dias do primeiro turno, Moro havia vazado trechos da delação não homologada do ex-ministro Antonio Palocci com graves acusações ao PT, Lula e Dilma Rousseff.

À época, justificou-se: “Ninguém está sendo processado ou julgado por opiniões políticas. Há sérias acusações por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Se são ou não procedentes, é questão a ser avaliada na sentença. Terá a defesa a oportunidade de apresentar todos os seus argumentos nas alegações finais, mas a farsa da invocação de perseguição política não tem lugar perante este juízo”.

De acordo com o Intercept, no dia seguinte à sua primeira mensagem, em 26 de outubro de 2018, a procuradora Jerusa Viecili insistiu: “Já desvirtuam o que falamos contra a corrupção ser a favor do Bolsonaro.  mas não vou mais insistir. o fato é que a FT [Força Tarefa] sempre comentou tudo (desde busca e apreensão em favela, lei de abuso de autoridade, anistia, indulto, panelinha, etc …) e agora não comenta independencia do MP, liberdade de imprensa e BA [busca e apreensão] em universidade”.

Entre os dias 23 e 25 de outubro de 2018, a Justiça Eleitoral havia realizado operações de busca e apreensão em universidades públicas de nove estados brasileiros, sob o argumento de que campanhas político-partidárias estariam acontecendo nos campi.

O candidato Haddad tinha forte apoio entre estudantes de universidades públicas, especialmente as que foram abertas pelo ex-presidente Lula.

Além disso, os campi se transformaram em centros de rejeição às ideias neofascistas que Bolsonaro expressou ao longo de sua carreira, além das promessas de campanha.

A ação da Justiça Eleitoral, violadora da autonomia universitária, da liberdade de expressão e do direito de reunião, sofreu forte rejeição mesmo em setores conservadores da sociedade.

A Força Tarefa da Lava Jato não se manifestou embora, anteriormente, como lembrou a procuradora Jerusa Viecili, já tivesse externado sua opinião, por exemplo, condenando a lei do abuso de autoridade e o indulto de Natal, previsto na Constituição Federal e prerrogativa do presidente da República, não do Judiciário.

A quem interessava o silêncio da Lava Jato, naquele momento em que Haddad e Bolsonaro disputavam o Planalto?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.