AFINSOPHIA: SE COMPROVADOS OS DOCUMENTOS DO THE INTERCEPT MORO NÃO PRECISA ENTREGAR SUAS PREMIAÇÕES

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A premiação é o reconhecimento de um valor encontrado pelo premiador no premiado. A vida é cheia de premiações. Há premiações por todos os lados. Há até auto-premiações. Quando a própria pessoa se concede prêmio. Premiações materiais e imateriais. “Vou me premiar com um carro. Eu mereço”. “Vou me premiar com o livro deste autor que gosto muito”.

Com premiações por todos os lados, existem também, por todos os lados, vários tipos de premiações. Premiações calculistas, hipócritas, mentirosas, bajuladoras, chantagistas, ameaçadoras, provocadoras, humilhadora, narcisistas, mantenedoras etc. São tipos de premiações que se fazem por conveniências. Nenhuma delas segue o corpus-ético.

Nestes tipos de premiações, além do premiado se sentir reconhecido o premiador também acredita ser reconhecido pelo fato de premiar alguém que tem valor não só para ele mais também para outros. Assim, com sua premiação o premiador também se sente premiado pelo reconhecimento dos outros que reconhecem o sujeito que ele premiou. 

Olhando pelo lado do sujeito que recebe o prêmio, há duas vertentes. Em uma, ele sente em si mesmo que merece ser  premiado, porque se tem com valor que se destaca de outros em seu meio. Outra, porque se envaidece por ser valorizado por outra pessoa ou entidade que reconheceu seu valor. O que significa, que o que concede o prêmio tem os elementos necessários para o reconhecimento do premiado.

Precipuamente, as premiações saem das observações oriundas das três faculdades humanas principais: sensitiva, cognitiva e ética. Alguns são premiados por suas sensibilidades. Outros por suas capacidades cognitivas. Já, outros, por suas condutas éticas. São os que, engajados em suas liberdades, se sentem responsáveis historicamente pelo destino-humano.

Porém, muitas vezes tanto os premiadores e os premiados não têm nenhuma variável excepcionalmente humana sensitiva, cognitiva e ética. São na verdade meras criaturas habitantes das zonas escura, cinzenta e obscura. Todas incapacitadas de perceberem e conceberem o mundo clara e distintamente, como mostra o filósofo Spinoza. Estes são sujeitos-sujeitados pela axiologia propagada pelo capitalismo que materializou o mundo como mercadoria-valor cuja prática principal é subjetivar estes sujeitos-sujeitados para servirem de defensores desta axiologia mercadoria-lucro. Ou seja, estas premiações são reflexos do pragmatismo-calculista do sistema capitalista.

No sistema capitalista, a premiação surge como tentativa de narcisar o premiado que para ele, o premiador, sofre de insegurança ontológica e mantê-lo como fiel arauto deste sistema. Daí, porque ao serem premiados se sentirem tão importante como se fossem reconhecidos por Deus no meio dos miseráveis mortais.  Neste sistema, para premiar, não contam as elevações da sensibilidade, cognição e ética. O que conta é que o premiado faz parte do mesmo sistema.

Moro, durante o tempo em que foi juiz da Lava Jato, recebeu várias premiações que lhe permitiram entrar na ordem da magnificação do ego, como diz Freud. Grande parte de seu narciso estava investido nele mesmo. Diria o filósofo Sartre: verdadeiro solipsismo. Tudo eu. Como já se sabia desde que começou a operação Lava Jato, agora confirmado pela Vaza Jato instituída pelo site The Intercept, Moro trabalhou para o Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América que visava as riquezas do Brasil que para isso foi usado o mote: combate à corrupção. O que levou o país a profunda condição indigente economicamente. Tendo hoje quase 14 milhões de desempregados e várias empresas falidas.

Neste quadro, em que Moro é apresentado como um juiz parcial que cometeu condutas fora do que manda a Justiça, e por isso recebeu várias premiações oriundas das entidades, empresas e indivíduos, se forem confirmadas todas as informações do The Intercept, ele não precisa entregar seus prêmios, porque fica tudo nos mesmos conformes, já que quem lhe reconheceu, lhe premiando, também acreditava que ele estava agindo certo. Moro jamais foi premiado por entidades que pensam e agem humanamente pelas normas coletivas e o respeito pelas leis constitucionais. Assim, tantos os seus premiadores, como ele, fazem parte do mesmo sistema de sujeição.

Como diz o filósofo-político, amazonense, Rui Brito: “Todos os dois estão certos”.  

  

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