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 Produção Afinsophia.

 O mundo é um sintoma, afirmam alguns psiquiatras. Só que alguns personagens fazem de seus sintomas individuais uma verdade social. Ou seja, procuram as instituições para serem amparados por elas e não causar estranheza à sociedade com seus atos. As instituições servem de defesa contra as investidas de resíduos persecutórios destes personagens que não saberiam como lidar com eles se não tivessem a proteção do corpus-institucional. Um quadro paranoico que conturbou por vários momentos os percursos históricos dos que lutaram, e lutam, por uma sociedade igualitária constituída por um Ego-Social-Democrático, onde o conceito de normalidade é representado pelos direitos e bens sociais de todos. O contrário, violências contra esses direitos e bens de todos, chama-se psicopatologia-social. A magnificação da destruição do Ego-Social-Democrático, como se tem observado no Brasil atual. 

  A psiquiatria, como exame-político da sociedade em suas funções e determinações voltadas para o bem comum como normalidade, mostra que em sociedade são expressados vários sintomas que incomodam o movimento coletivo da saúde-mental-social. Entre os vários sintomas prescritos como transtornos das personalidades, como Transtorno Da personalidade Borderline, Transtorno da Personalidade Histriônica, Transtorno Da Personalidade Dependente, Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsivo, Transtorno da Personalidade Antissocial, entre outros, um chama mais a atenção para se entender a saúde do Brasil atual: o Transtorno da Personalidade Narcisista.

     Daí, que como forma de enunciação pedagógica para o entendimento desse transtorno, se faz necessário apresentar os principais sinais-sintomáticos dos personagens acometidos por essa forma de existência frustradas, como diz o filósofo e psiquiatra Ludwig Binswanger. Sim, pois trata-se de existência malograda de toda existência que falseia a condição ontológica autêntica do ser. 

     Como indicação psíquica-pedagógica, necessário se faz informar de onde foram extraídas essas enunciações. Trata-se do livro de psiquiatria Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM – 5. American Psychiatric Association. As enunciações encontram-se nas páginas 669 e 670.

       “CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS

 Um padrão difuso de grandiosidade ( em fantasia ou comportamento), necessidade de admiração e falta de empatia que surge no início da vida adulta e está presente em vários contextos, conforme indicado por cinco (ou mais) dos seguintes:

   1. Tem uma sensação grandiosa da própria importância (p.ex., exagera conquistas e talentos, espera ser reconhecido como superior sem que tenha as conquistas correspondentes). 

   2. É preocupado com fantasia de sucesso ilimitado, poder, brilho, beleza ou amor ideal.

    3. Acredita ser “especial” e único e que pode ser somente compreendido por, ou associado a, ouras pessoas (ou instituições) especiais ou com condição elevada.

    4. Demanda admiração excessiva. 

    5. Apresenta um sentimento de possuir direitos (i.e., expectativas irracionais de tratamento especialmente favorável ou que estejam automaticamente de acordo com as próprias expectativas).

    6. É explorador em relações interpessoais (i.e., tira vantagens de outros para atingir os próprios fins).

    7. Carece de empatia: reluta em reconhecer ou identificar-se com os sentimentos e as necessidades dos outros.

    8. É frequentemente invejoso em relação aos outros ou acredita que os outros o invejam.

    9. Demonstra comportamentos ou atitudes arrogantes e insolantes.”

           Em seu estudo sobre o Narcisismo, Freud afirma que o narcisista sofre do delírio chamado de magnificação do Eu. Seu Eu é o mundo. Ou melhor, o mundo é o que seu Eu fabula. O que leva ao entendimento que o narcisista é dominado por um sentimento de baixa tolerância para suportar frustração. Um sentimo também encontrado nos que sofrem do transtorno de Borderline. Não aceitam ser contrariados em suas posições.  O narcisista também sofre do síndrome do exibicionismo: precisa se sentir objeto do olhar do outra para acreditar que existe. É também voyeur. Olhar os outros para se sentir em situação de dominação desses outros.

      Pode-se dizer que o narcisista, em sua fraqueza, se mostra como se vivesse o sintoma do complexo de Deus. O que é uma grande dor para ele por não receber confirmação, já que nenhum crente vai trocar seu Deus por um narcista que delira ser Deus. 

      Em síntese, essas personagens são profundamente frágeis, inseguras e com forte sentimento de desamparo. Por isso, necessitam dos outros para criarem a ilusão de que são amados, não importando a forma como se relacionam com os outros.

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