‘SÃO BERNARDO AGORA É CURITIBA’, DIZ GLEISI, QUE AGUARDA MAIS CARAVANAS NO PR

RESISTÊNCIA
Segundo a presidenta nacional do PT, partido intensificará acampamento da resistência em frente à sede da PF e atuará judicialmente para que Lula seja libertado
por Hylda Cavalcanti, da RBA.
 
GIBRAN MENDES / CUT-PR
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Caravanas estão se dirigindo para Curitiba; partido pretende fazer resistência na área até a libertação de Lula

Brasília – “São Bernardo do Campo agora é Curitiba”. Esta foi a frase principal dos parlamentares e integrantes do PT para os militantes que estão concentrados desde a noite de ontem (7) em área próxima à sede da Polícia Federal (PF) na capital paranaense, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preso. Durante entrevista coletiva realizada esta tarde (8), a presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), disse que várias caravanas estão se dirigindo para o local e que o partido pretende fazer resistência forte na área até a libertação de Lula.

Ela repudiou atos de violência durante a chegada do helicóptero que transportou Lula do Aeroporto até o local, que deixou feridos vários petistas. Disse que a manifestação era pacífica, o caso consistiu em “mais uma atrocidade” e já estão sendo tomadas providências jurídicas em relação a tais agressões.

Gleisi Hoffmann disse também que apesar de concordarem com a decisão de Lula de se entregar, os petistas vão atuar em várias áreas para que ele seja liberado. A senadora lembrou, neste sentido, os pedidos feitos junto à Corte da Organização dos Estados Americanos (OEA) contra a condenação do ex-presidente, o fato de a prisão estar sendo considerada de cunho político, tanto nacionalmente como fora do país, e a expectativa sobre julgamento esta semana de decisão liminar apresentada por advogados na última quinta-feira.

Na liminar, foi solicitado ao STF que sejam postas em pauta imediatamente as Ações Diretas de Constitucionalidade (ADCs) que vão avaliar a questão da prisão em segunda instância pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A senadora não poupou a ministra Rosa Weber, do STF, considerada a magistrada que contribuiu para o resultado do julgamento da última semana contrário a Lula. “A ministra disse que apesar de estar votando daquela forma, é favorável ao fim de prisão em segunda instância e que se posicionava naquele momento em respeito a decisão em vigor do colegiado. Todos a ouvimos, por isso queremos então que ela prove isso e se posicione da forma como afirmou que fará no julgamento das ADCs”, destacou.

Apoios diversos

A presidenta do PT também contou que líderes políticos de diversos países já confirmaram que virão ao Brasil na próxima semana para se solidarizar com Lula e que as turnês de visitas ao ex-presidente serão iniciadas pelos governadores do Nordeste, que formalizaram hoje à Polícia Federal, uma visita, em comitiva, ao ex-presidente na terça-feira (10).

“Vamos fazer o que Lula nos pediu e ser a voz e as ideias dele, daqui por diante”, disse Gleisi, conclamando os manifestantes do acampamento de resistência montado em área próxima à sede da Polícia Federal, há poucos metros de onde Lula se encontra. “Os policiais federais precisam se conscientizar de que não estão aí com um preso qualquer, mas um preso político e que é também o maior líder desse país. Posso dizer que não vamos sair daqui”, acrescentou.

“Não queríamos estar aqui e não precisávamos estar aqui se houvesse justiça isenta nesse país. O mundo inteiro está de olho no que acontece o Brasil. Lula tomou essa atitude de se entregar porque sabe da responsabilidade dele perante as pessoas que o defendem. Agora somos milhões de Lulas”, frisou.

A senadora demonstrou indignação com as bombas de efeito moral e gás lacrimogênio jogadas ontem contra militantes do PT que estavam reunidos de forma pacífica. “Foi mais uma de tantas atuações seletivas que vimos nos últimos anos nesse país, porque o grupo que estava lá do outro lado, contrário ao ex-presidente não foi alvo dessa repressão. O que aconteceu foi injustificável”, enfatizou.

Repressão violenta

Em Brasília, o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, deputado Paulão (PT-AL), anunciou que está indo a Curitiba, devido às denúncias dos ataques aos manifestantes que apoiam Lula.

“A partir das denúncias que recebemos, inclusive de parlamentares que estão no local, os agentes policiais não só não atuaram para proteger a integridade dos tripulantes do helicóptero que transportava Lula como atuaram de modo a reprimir de maneira violenta e desproporcional a manifestação de seus apoiadores. Trata-se de ação politicamente seletiva”, disse o parlamentar.

“De um lado, agentes policiais omitiram-se de seu dever funcional de dissuadir ato criminoso; de outro, atuaram violando a integridade física e os direitos à manifestação, liberdade de expressão e reunião, todos previstos na Constituição da República, no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e na Convenção Americana de Direitos Humanos”.

O presidente da CDHM, com apoio da assessoria técnica da comissão, está articulando reuniões de trabalho com autoridades responsáveis pela segurança da Polícia Militar e da Polícia Federal com o intuito de assegurar o direito à manifestação, previsto constitucionalmente, bem como garantir que novos atentados ocorram contra a figura do ex-presidente Lula. Paulão cobrará providências quanto à atuação dos agentes federais envolvidos na ação contra os manifestantes, questionando o motivo de permitirem a soltura de rojões em cima do helicóptero e a repressão aos manifestantes que não estavam fazendo nada que prejudicasse a segurança de nenhum dos envolvidos.

Em paralelo, o parlamentar oficiou a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, chefe da Polícia Federal, para que tomem providências quanto às denúncias relatadas e comprovadas em fotos e vídeos produzidos durante as violações de Direitos Humanos dos manifestantes e de Lula.

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