NOCAUTE – UFMG: REITOR É SOLTO SOB APLAUSOS DE PROFESSORES E ESTUDANTES

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Operação da PF investiga desvio de recursos em construção de Memorial da Anistia. O reitor, Jaime Arturo Ramírez, a vice-reitora, Sandra Goulart Almeida, e a ex-vice-reitora e historiadora Heloisa Starling foram alguns dos conduzidos coercitivame

*Imagens: Pedro Martins

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira (6) a Operação Esperança Equilibrista, com o objetivo de apurar a não execução e o desvio de recursos públicos para a construção e implantação do Memorial da Anistia Política do Brasil. Idealizada em 2008, a fim de preservar e difundir a memória política dos períodos de repressão, a obra foi financiada pelo Ministério da Justiça e executada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 Em nota, a PF informou que 84 policiais, 15 auditores da Controladoria-Geral da União e dois do Tribunal de Contas da União estão cumprindo oito mandados judiciais de condução coercitiva e 11 mandados de busca e apreensão. Entre os conduzidos, segundo informações do jornal O Tempo, estavam o reitor, Jaime Arturo Ramírez, e a vice-reitora, Sandra Goulart Almeida. Professores e estudantes foram à sede da PF para pedir a libertação dos detidos. O reitor foi solto por volta do meio-dia, sob aplausos.

Em coletiva de imprensa, o delegado Leopoldo Lacerda não citou o nome dos presos: “Os investigados são coordenadores do projeto da cúpula da universidade”, afirmou. Eles podem responder por peculato desvio e formação de quadrilha.

Assista abaixo:

Diante da condução coercitiva dos reitores e professores da UFMG nesta manhã, a Frente Nacional Contra a Censura convocou uma reunião às 19h no Sindicato dos Jornalistas, na região central de Belo Horizonte.

A obra do Memorial seria feita a partir da reforma do Coleginho, localizado no bairro de Santo Antônio, em Belo Horizonte. Nele seria instalada uma exposição de longa duração, com obras e materiais históricos. Estava prevista também a contrução de dois prédios anexos e uma praça de convivência.

De acordo com a PF, mais de R$ 19 milhões já teriam sido gastos na construção e em pesquisas de conteúdo para a exposição. No entanto, acrescenta a PF, até o momento apenas a obra referente a um dos prédios estaria sendo feita e, mesmo assim, estaria inacabada. Ainda segundo os investigadores, quase R$ 4 milhões teriam sido desviados por meio de fraudes em pagamentos feitos pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), que foi contratada para fazer os estudos de conteúdo e a produção de material para a exposição.

O nome da operação foi inspirado no trecho da música “O Bêbado e o Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, que é considerada o hino dos anistiados.

A UFMG é a segunda universidade a virar alvo de operações da PF neste ano. Em setembro, o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, foi preso na chamada Operação Ouvidos Moucos, que investigava desvio de recursos no programa de educação a distância.

A ação foi chefiada pela delegada Érika Mialik Marena, ex-coordenadora da Lava Jato, em Curitiba, e recentemente promovida a superintendente da PF em Sergipe. Marena é alvo de um pedido de investigação por abuso de autoridade por sua atuação na UFSC.

A suspeita sobre o reitor era a suposta tentativa de obstruir a investigação. A ação mobilizou 115 policiais para prender Cancellier e outros seis professores da UFSC.

O reitor, conhecido como Cau, foi afastado do cargo e banido da universidade que frequentava há 40 anos, localizada em frente ao apartamento onde morava.

Dezoito dias depois, o reitor se atirou do sétimo andar de um shopping de Florianópolis e deixou uma carta dizendo que foi submetido a abusos de autoridade em meio à operação.

De acordo com a decisão judicial ao qual o site de notícias da Globo G1 teve acesso, além dos atuais reitor e vice-reitora, também foram conduzidos coercitivamente as ex-vice-reitoras Rocksane de Carvalho Norton e Heloisa Gurgel Starling. Outras duas mulheres contratadas pela Fundep, Silvana Coser e Sandra Regina de Lima, também foram levadas para a Superintendência da Polícia Federal na capital mineira.

Veja também, entrevista de Acioli Cancellier de Olivo ao Nocaute

Parlamentares do PT emitiram nota pública em repúdio à operação da PF na UFMG. Leia o texto na íntegra:

A operação da Polícia Federal que na manhã desta quarta (06) conduziu coercitivamente os atuais reitores e os ex-reitores da UFMG é uma prova de que a onda de arbitrariedade e exibicionismo no país está longe de acabar. Demonstra-se que o martírio do ex-reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier, não foi o suficiente para constranger aqueles e aquelas que hoje entendem ter o direito de utilizar prerrogativas legais para produzir perseguições de cunho político e pessoal.

Não há qualquer justificativa para a forma como a operação se deu. Não há qualquer justificativa para conduzir coercitivamente dirigentes universitários, cidadãos e cidadãs conhecidas publicamente, com endereço estabelecido, cumprindo suas funções e que, a qualquer momento, estariam à disposição da Polícia Federal para prestar as explicações que fossem necessárias. A banalização das conduções coercitivas visa apenas o espetáculo, a autopromoção de agentes públicos mais acostumados aos holofotes do que à prática de suas funções.

Temos explícito mais um episódio de uma ofensiva contra as conquistas progressistas dos últimos anos, desta vez dirigida contra a Educação brasileira e seu propósito de democratizar e libertar. Não por coincidência, o gesto de violência da Polícia Federal voltou-se contra o Memorial da Anistia, ação da UFMG que busca promover o resgate da verdade reprimida pela Ditadura Militar brasileira, contribuindo para restabelecer no Brasil o tão elementar direito à memória.

Somamo-nos à indignação já manifestada pela direção da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais, conclamando a sociedade para defender a instituição dessa caçada brutal, sustar a operação e punir disciplinarmente os responsáveis, em particular aqueles que autorizaram tamanha arbitrariedade.

Dep. Margarida Salomão (PT-MG) – Presidenta da Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Federais

Dep. Raimundo Angelim (PT-AC) – coordenador do núcleo de educação do PT na Câmara

Senador Lindbergh Farias (PT-RJ) – Líder do PT no Senado

Senadora Fátima Bezerra (PT-RN) – coordenadora do núcleo de educação do Senado Federal

Dep. Carlos Zaratini (PT-SP) – Lider do PT na Câmara

 

*Com informações da Agência Brasil

 

 

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