DALLAGNOL PEDE PERÍCIA EM RECIBOS DE LULA, E DEFESA ALEGA TENTATIVA DE ABAFAR FRACASSO

Jornal GGN – A equipe liderada por Deltan Dallagnol encaminhou ao juiz Sergio Moro um documento explicando vários anexos juntados aos autos do processo em que Lula é acusado de receber vantagem indevida da Odebrecht. E, neste documento, consta o aviso de que um incidente de falsidade foi aberto pelos procuradores, para investigar os recibos do aluguel apresentados pela defesa do ex-presidente.
A iniciativa de Dallagnol ocorre em uma guerra de informações encampada pela Lava Jato com ajuda da grande mídia, na tentativa de desqualificar as provas que desmontam parte das acusações contra Lula. A defesa afirmou, em nota, que o incidente de falsidade só vai atestar a idoneidade dos documentos. Além disso, expõe que a operação tenta criar ilusões para esconder que não consegue provar a denúncia que fez contra o petista.
O incidente de falsidade é uma apuração para avaliar a autenticidade de qualquer documento apresentados em uma ação criminal e sobre o qual há controvérsia, explicou o Estadão desta sexta-feira (6).
No caso, o Ministério Público Federal lança suspeitas sobre quando os comprovantes foram assinados, após Glaucos da Costamarques ter criado a versão de que assinou os recibos de 2015 de uma só vez, em novembro daquele ano.
Glaucos é o proprietário do apartamento 121 do Hill House, mesmo condomínio onde vive o ex-presidente Lula. O imóvel vem sendo alugado para a família do petista desde 2003. Entre 2011 e 2016, o contrato do aluguel era assinado entre Glaucos e dona Marisa. Lula é proprietário da unidade 122 desde a década de 1990.
Após depoimento a Moro, Glaucos – que decidiu colaborar com os procuradores da Lava Jato após a Receita Federal identificar repasses milionários de seus filhos em sua declaração de imposto de renda – passou a afirmar que Lula não pagou aluguel entre fevereiro de 2011 e novembro de 2015. Glaucos, porém, declarou todos os pagamentos à Receita.
Moro decidiu cobrar de Lula a apresentação dos recibos. Quando os documentos vieram à tona, parte da imprensa passou a fazer escândalo por causa de duas datas erradas. Glaucos, por outro lado, se recusa a dar detalhes sobre os papéis.
Para a defesa de Lula, a perícia nos recibos irá demonstrar que eles são idôneos e que foram assinados pelo proprietário do imóvel, dando quitação dos aluguéis à D. Marisa, que contratou a locação.
Em nota à imprensa, o advogado Cristiano Zanin disse que o “questionamento do MPF é uma tática ilusionista de quem não conseguiu provar que valores provenientes de contratos da Petrobras beneficiaram o ex-Presidente Lula.”
“O proprietário do imóvel jamais negou que tenha emitido os recibos, tampouco levou ao processo qualquer declaração de que tenha assinado os documentos em uma única data, como se verifica na petição por ele protocolada em 28/09. Ele demonstrou ter adquirido o apartamento com recursos próprios, por meio de cheques administrativos, e não com valores de contratos da Petrobras”, acrescentou.
TRATAMENTO IGUAL
A defesa ainda lembrou que pediu a Moro uma apuração sobre documentos juntados aos autos pelo MPF e pela Odebrecht, mas até hoje não obteve autorização do juiz para a perícia.
“Espera-se que o juiz dê ao questionamento da defesa o mesmo tratamento em relação aos questionamentos da acusação, não apenas em relação à idoneidade de documentos, mas sobretudo no que tange à necessidade de demonstração do afirmado uso de recursos da Petrobras para a aquisição dos imóveis (‘follow the money’).”