ACIDENTES DE TRABALHO NO MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA

Acidente de Trabalho (1944), Sigaud
Acidente de Trabalho (1944), Sigaud

Segundo a Agência Brasil, a Organização Internacional do Trabalho (OTI) formalizou o dia 28 de abril como o dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho. Ainda, segunda a notícia da Agência Brasil, “Os acidentes de trabalho causam cerca de 3 mil mortes por ano no país. Dados da Previdência Social mostram que, no setor privado, 653.090 acidentes foram registrados em 2007, número maior que o do ano anterior, de 512.232 casos”.

Os chamados acidentes de trabalho estão ligados diretamente ao modo de produção capitalista. Isto significa dizer que estes acidentes não estão limitados ao lugar (strictu sensu) da produção, mas a toda a dinâmica de funcionamento e posicionamento deste modo de produção específico.

Assim, a sociedade, em sua totalidade, é organizada, ao mesmo tempo, como a condição geral de produção e produto necessários para desenvolver as forças produtivas materiais do capitalismo. Desta forma, o modo de produção capitalista tem como pressuposto a valorização do capital em todas as suas formas. Portanto, no modo de produção capitalista não são engendrados apenas produtos postos no mundo como mercadorias, mas, também, produz e reproduz relações de produção, relações sociais e comportamentos humanos. Simplifica tudo como um signo equivalente ao dinheiro e ao lucro. Desta maneira, a própria sociedade é vinculada ao processo de produção e realização da mais-valia.

Todas as modernizações informacionais e tecnológicas aplicadas a este modo de produção fazem com que a estrutura da sociedade se transforme. Quando a fábrica apareceu com as suas inovações técnicas, coercitivas do trabalho, sua organização disciplinar e suas relações salariais as relações humanas e a natureza humana tornaram-se fábricas.

O trabalhador, em relação à máquina, surgiu não como um operador e dominador das engrenagens, mas como parte destas. Surge como um apêndice da máquina. Para alguns, a máquina seria a libertação do trabalhador, pois toda a força de trabalho seria desempenhada por ela. Como se esta tivesse vontade própria. Contudo, como a máquina não descansa, o trabalhador também não. O trabalhador, portanto, fica como um súdito de uma vontade estranha.

E não somente súdito da máquina, mas de cobranças de horários, de metas de produção, de tipos de organização corporais que impõem disciplinas rígidas, bem como de controles e regulação da própria vida social intensificando os elos interno dos aparelhos de normalização e disciplinaridade, alongando-os para fora dos espaços disciplinares, constituindo redes mais flexíveis do que aquelas das instituições.

Daí os acidentes de trabalho, por parte do modo de produção capitalista, ter que ser evitado menos em razão do mal que pode proporcionar ao trabalhador do que evitar o imprevisto que atrasará toda a produção. É assim que, sendo o trabalho, neste modo de produção, um criador de fadigas e de enfermidades típicas, até a sua transformação em um saber aceito pela academia, tornou-se necessário. Se antes várias obras médicas já se dedicavam a este assunto, atualmente são muitos os cursos de pós-graduação e técnicos que especializam profissionais para tratarem especificamente destes casos de acidentes no trabalho. Muitas vezes os alunos destes cursos são bancados pelas próprias empresas ou fábricas interessadas menos na saúde do trabalhador do que no cumprimento de metas de produção e de lucro.

Isto se torna evidente no fato de estatísticas mostrarem o quanto diminui os acidentes de trabalho registrados, mas em contra partida o quanto se mantém auto o índice de aposentadorias por invalidez. E com o trabalho intelectual, o quanto enfermidades “modernas”, como o estresse, a LER [Lesão por Esforço Repetitivo] e infartes começam a se tornar comuns.

Ainda que existam críticas ao governo federal em razão do pouco ou da falta de repasse de verbas para o combate destes acidentes, enquanto perdurar o modo de produção capitalista como alicerce das relações de produção, de relações sociais e de comportamentos humanos, os acidentes que indicam uma quebra na estrutura do lucro das empresas e das fábricas continuarão não somente nestes lugares, in locus, mas se alastrarão por toda a sociedade, uma vez que esta seja gerida não como o espaço público onde é desenvolvido o compromisso com o bem comum, a democracia, mas como a materialização das condições e produtos engendrados pelo modo de produção capitalista.

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