REMO VAI À COPA SEM CANOA
O clube do Remo foi à Copa Brasil, mas esqueceu o fundamental: a canoa. Sem canoa, ficou na praia visualizando a superfície do rio que teria que atravessar como um representante paraense, terra orgulho de um Pinduca, Rui Barata, Paulo André, Calipso, Banda Stress, entre tantos outros, do estado de Nossa Senhora de Nazaré.
Diante de um Flamengo imóvel, e sem qualquer criatividade futebolística, a potência que torna o futebol um movimento de magia, como diria João Saldanha, o Remo ficou remando no espaço etéreo. Tivesse entendido que é mais fácil improvisar o remo – até os braços servem- que a canoa, teria atravessado com tranqüilidade o rio tenebroso do futebol brasileiro com suas correntezas traiçoeiras escavadas pelos cartolas.
Todavia, duas notas confirmam o esquecimento, talvez proposital, da canoa. Uma, a resposta que um jogador do time deu ao ser entrevistado, no intervalo, por um repórter do sul maravilha: “Nós vamos tentar, no segundo tempo, criar jogadas para o gol, mas o que nos queríamos estamos conseguindo: não tomar gol”. Risível resposta. Como que um time jogando em casa, em situação periclitante futebolisticamente, vai para o campo para não tomar gol? Só um Remo sem Canoa. Outra, que vem no seguimento da primeira. Para ir decidir no Rio, só seria possível com a canoa. Só que o objetivo do remo, que estava servindo como prumo da canoa ausente, era se mostrar, através da mídia, para o Brasil, especialmente, quem sabe, à um empresário que estivesse assistindo a pelada.
Este o grande erro de alguns destes times considerados pequenos quando enfrentam um chamado time grande, com transmissão Brasil à fora. Esquecem que jogam em um time e se dedicam à um exibicionismo individualista. A anti-lógica do futebol como esporte coletivo. Esta a postura da maior parte dos jogadores do time do Remo. Uma espécie de seleção da Colômbia no tempo do Valderrama, em que os jogadores colombianos faziam verdadeiros ‘malabares’ com a bola, driblando quem aparecesse pela frente, mas o chute à gol, necas, D. Maricota.
Logo o Remo, um time da Região Amazônica onde existe os tipos mais fortes e valiosos de madeiras. Bastava pegar uma e construir uma bela e segura canoa. Agora, só resta o Papão, domingo. Se perder vai ficar até o fim do ano na praia remando, olhando para superfície brilhante do rio.
Remadas neles! frouxos ao extremos.