O “JEITO AMAZONINO” DE CUMPRIR PROMESSAS
UM ENREDO EM DEJÀ VU
Cena 1: em plena campanha eleitoral, Amazonino repete o mantra de que não demitirá e respeitará os servidores públicos. Obsessivamente, o então ainda-candidato se esforçava para apagar da memória do servidor público a relação tirânica de anos anteriores.
Cena 2: Amazonino eleito, porém cassado. Começa a vingança dos ressentidos, como já amplamente divulgado neste bloguinho. Ainda assim, persistiram as promessas de que nenhum servidor seria demitido. Porém, segundo fontes intempestivas, aqui e acolá, funcionários saíram, alguns sem receber os devidos vencimentos e direitos trabalhistas.
Cena 3: Amazonino cassado, mas empossado, é prefeito interino ao arrepio do Código Eleitoral Brasileiro. Afirma para servidores da Semosbh que devem ter nele não um chefe, mas um amigo. Dias depois, o amigo demite vários garis.
Cena 4: primeira semana de janeiro. Em suas respectivas secretarias, servidores em regime RDA (Regime Direito Administrativo), temporários e outros são orientados a aguardar em casa, pois a estrutura da prefeitura seria reformulada e todos seriam reaproveitados. Muitos não acreditam e continuam frequentando o local de trabalho, mesmo sem a perspectiva de que receberão. A incerteza, a angústia, o desespero tomaram conta de grande parte do funcionalismo público municipal durante o “janeiro que não existiu”.
Cena 5: dia 02 de fevereiro, o prefeito cassado, Amazonino Mendes, o “amigo” dos funcionários públicos, assina decreto demitindo todos os funcionários em regimes temporários (incluindo os RDA`s) que estivessem faltando ao serviço, excluindo-os da folha de pagamento. Determina ainda a redução das gratificações futuras e o cancelamento das que forem pagas já a partir deste mês.
EPÍLOGO: MEMÓRIA, IMAGINAÇÃO E DEMOCRACIA
Numa democracia, a memória serve a dois propósitos. Carregar imagens-ideias que aumentem a potência de agir, engendrando comunalidades e fortalecendo a democracia, ou, igualmente, carregar imagens-ideias, mas que diminuam a potência de agir. Neste caso, como a memória é uma faculdade da inteligência, as imagens que carregam uma afecção triste servem pedagogicamente para evitar que se repita no presente um mau encontro passado.
No entanto, quando a inteligência é deixada de lado, e a imaginação prevalece, é impossível a democracia se realizar. No plano da imaginação, as ideias são falsas ou equivocadas, e a cidade e seus habitantes ficam à mercê do acaso dos encontros. A democracia só se realiza como causa de si. Daí a recorrência de certas imagens-ideias a assombras como fantasmas certos povos e civilizações, como parte dos israelenses, incluindo os governantes, que projetam nos palestinos o delírio histórico da má consciência do povo hebreu.
Pode-se, portanto, depreender que a população de Manaus, ao eleger Amazonino, usou a imaginação, e não a memória.
Ainda bem que existem potências-democráticas para além da superstição: Maria Eunice, Edmilson Barreiros, André Lasmar, os movimentos sociais, o TSE, e tantos outros, que trabalham direta ou indiretamente pela prevalência dos afectos democratizantes: a cassação.
Gostaria de saber se o meu nome saiu na listagem dos concursados de 2005, auricelia figueiredo magalhaes, gostaria de ter uma respostas. obrigada.