JANEIRO, O MÊS QUE NÃO EXISTIU EM MANAUS
Passados 30 dias da diplomação sub judice, a prefeitura de Manaus continua sem prefeito, e a evidência de que em Manaus sequer teve eleição é cada vez mais forte.
Já nos primeiros dias do mês (e do ano), a passagem de Amazonino provisoriamente pela prefeitura disse a que veio. A vingança dos ressentidos, contra os remanescentes da administração serafinesca, tomou conta e fez tocar o horror entre as secretarias e repartições públicas municipais. Enquanto isso, o povo…
Na mesma semana, os artistas engajados do meu pirão primeiro fizeram manifestação pela manutenção do nepotismo da filha de Amazonino, enquanto a notícia corria o mundo, via Bandnews e outras agências. Segundo fontes intempestivas, dias depois, um dos líderes do “manifesto” percorria os corredores da SEMC em busca da recompensa pela canetada amiga. Não teria conseguido.
Na onda nepotista, até a filha do desembargador Ari Moutinho ‘Pai’, o homem que irá julgar o processo, em segunda instância, da cassação de Amazonino, foi agraciada com um cargo. Sintomas de uma cassação por vir. Não, evidentemente, via TRE/AM.
Poucos dias depois, Amazonino se queixaria da crise financeira mundial, aproveitando para explicar ao afoito eleitor que dele espera uma revolução municipal (haverá algum?) que não deveria crer no cumprimento das promessas de campanha. Enquanto isso Lula só…
Enquanto a famigerada revolução não aparecia, Amazonino aproveitava para atacar o seu predecessor, para desespero de seus marqueteiros, que viam na atitude do patrão o ressentimento incontido, e nos rumores das ruas, a já manifesta irritação do eleitor com a ausência do prefeito. E juntar na mesma frase as palavras “prefeito” e “Serafim” mostrou-se perigosa fórmula para o atual sub judice. Até Serafim, que mostrou a que veio somente quando as urnas falaram, sacou o desespero.
Sentindo a pressão popular da cassação e do clamor social (este sim) por eleições para valer, Amazonino finge mover-se e cobra celeridade de seus secretários, como se a lógica das noemações não seguisse a ordem genesiana: “feito à imagem e semelhança do pai”. E finalmente, quando alguns pessimistas achavam que ia melhorar, Amazonino continuou mostrando a que não veio.
CALAMIDADE PÚBLICA SIM, MAS NOS SALÁRIOS
Rumores internos nas secretarias davam conta de que os funcionários que ora entraram e aqueles que escaparam da sanha demissionária dos ressentidos não receberiam salários em janeiro. Para desespero de alguns, como já informado neste bloguinho, muitos dos que trabalharam de graça na campanha e sonhavam com a janela para o paraíso do emprego público irregular, acabaram por ficar de fora esperando a Rapunzel jogar suas tranças. O caso, aliás, é passível de investigação por parte do ministério público. Como a prefeitura está contratando (desde antes do estado de emergência) sem concurso ou processo seletivo?
O caso é que o fim do mês trouxe desagradáveis surpresas para egressos e recentes do serviço público municipal. Houve quem tenha sentido a mordida em mais de 50% do seu salário.
No caso dos servidores em regime de prestação de serviços da secretaria de assistência social, por exemplo, não receberam sequer o salário de dezembro, quiçá reclamar da falta do de janeiro.
Enquanto a calamidade no pagamento dos salários não comove o atual prefeito, o alcunhado estado de emergência decretado sob o arrepio dos critérios da defesa civil nacional já movimentou, entre amigos, mais de 10 milhões em 10 dias. Os buracos reclamam que ainda não viram a cor do dinheiro (ou do asfalto).
TE SEGURA, LULA! AMAZONINO QUER O BRASIL!
Amazonino, em um mesmo dia, prometeu anistia de 50% nas multas dos taxistas, e regularização aos mototaxistas. Tal qual o episódio do empréstimo dos recursos da Amazonprev para os servidores, citado na fala de Serafim (ver link acima), a administração incorre, no mínimo, em ignorância técnico-jurídica. Ocorre que os valores estipulados nas multas são regidos pelo Código Brasileiro de Trânsito, e não está sob a competência de prefeitura alguma modificá-los. Igualmente, a proibição do transporte de pessoas em veículos de duas rodas é legislação federal.
Serão esses equívocos apenas sintoma do despreparo técnico para a gestão pública? Ou delírios presidenciais de um prefeito cassado? Com a palavra, os indiferentes…
MEDIDAS GENIAIS!
No último sábado, Amazonino anunciou que irá trocar os radares “corujinhas” por… radares. No dia seguinte, reuniu-se com os prefeitos do interior. O que esta reunião auxilia a melhorar os serviços da prefeitura de Manaus aos cidadãos que necessitam de uma nota fiscal da SEMEF, ou ser atendido numa casinha da SEMSA, ou ter informações sobre o Bolsa Família na SEMASC, é algo que a inteligência do eleitor não conseguiu ainda compreender.
ENQUANTO ISSO, FEVEREIRO VAI CHEGANDO…
Reza um velho ditado da exploração capitalística da força-de-trabalho que, no Brasil, o ano só começa depois do carnaval. Transformação do tempo em elemento capturante da força criadora, fetichizada em mão-de-obra, a fim de adesivar à exploração pelo grande capital. O mesmo conceito de trabalho usado por Amazonino em sua ficha biográfica.
No entanto, no caso da prefeitura vazia de Manaus, que já engoliu janeiro no compasso da cassação e da inércia social, o samba deste enredo nada farsesco promete acabar nos primeiros raios de sol da quarta-feira de cinzas: no caso, a cassação.