Um homem nunca é. Um homem carrega corpos/afecções, fluxos-mutantes e quantas-desterritorializantes que quando em seus percursos compõem com outros corpos/afecções, idéias adequadas, ou idéias inadequadas. Afectos que aumentam sua potência de agir como comunidade alegre, ou afetos que diminuem sua potência de agir como comunidade triste. Na primeira composição predomina sua ação como causa de si mesmo. Na segunda predomina sua reação como efeito da causa saída do outro.

Na zona-penumbra do desentendimento racial o presidente dos Estados Unidos, Obama, é classificado como o primeiro negro na história da presidência da República Americana. Uma discriminação sutil simulada por uma exaltação e homenagem à força do negro. Embora no império irracional adesivante Obama seja classificado como negro, o que atravessa a história é o homem espírito universal. A Casa Branca se faz Negra tão somente porque Obama vivente de uma corpus sócio-cultural branco, com seus princípios alienantes de valores capitalísticos burgueses, discerniu e sintetizou em si a semiótica dos povos “sub-traídos” dos princípios universais humanos fundadores ontológicos da Existência. O Estar-No-Mundo-Com… Produção poiética da liberdade.

Desta forma, Obama fará Negra a Casa Branca permitindo-se ser atravessado pelo devir filosófico de Nietzsche: transtrocando perspectivas, realizando a “transvaloração dos valores”, fincados aí como as perspectivas imperialistas dos presidentes anteriores, principalmente Bush; e, também, permitindo-se ser atravessado pelo devir filosófico de Sartre: em liberdade mudar a Situação, já que é em situação que o homem atua como um ser responsável por suas escolhas. Mudada a Situação legada com suas forças de definições, Obama faz a Casa Branca Negra. Negra como a síntese dialética das cores das comunidades mundiais oprimidas. Aí, Obama confirmará não ser um presidente adesivado como “o incrível negro” que chegou à Presidência Dos Estados Unidos – a ilógica do absurdo classificador – , mas uma cartografia de desejos tecidos por todos nós.

Nada de univocidade: Viva a América! Mas sim, polivocidade: Viva o Mundo!

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