OS TELE-MISERABILISTAS
A miséria é uma desgraça. Estar em desgraça é ser pobre. Ser pobre é falta. Falta de algo que em uma sociedade alguns possuem e outros não. Alguns possuem emprego, comida, saúde, moradia, escola, transporte, graus superiores de inteligência e infra-pessoalidade ética, outros não. Queiramos ou não, a miséria sempre revela a falta do que é necessário para alguém. Seja só em si mesmo ou junto com outros. Todos nós, em alguns momentos, somos miseráveis. Quando queremos encontrar aquela palavra importante para compor a conquista de alguém e ela nos falta. Porra, que miséria! No vestibular: esqueci! Sou um miserável. Na hora do gol… Mas há misérias odientas que eliminam pessoas, destroem famílias e cidades inteiras.
OS MISERÁVEIS DA TELEVISÃO DE MANAUS
O filósofo Sartre disse que a miséria só acabará quando o miserável pensar um mundo em que ela não seja possível. Seria: o que pretendo como operário é que o patrão não mais me explore. Que a mais-valia não seja a alegria dele e minha dor. Para conseguir esse entendimento, é fundamental que o operário tenha o patrão como um miserável: a falta da vida democrática como discurso de todos. Tudo que falta aos miseráveis apresentadores de programas de televisão que jamais poderão pensar Sartre se são miseráveis de seus miseráveis patrões: os responsáveis para por em prática as concessões das TV’s concedidas pelo Governo Federal para exercitarem políticas midiáticas de cidadania, mas que exteriorizam suas misérias que não interessam à população.
Assim, miserabilizados intelectualmente e eticamente, esses apresentadores, e parentes, lançam-se candidatos ao legislativo, são eleitos em suas misérias, e se tomam como importantes para a cidade de Manaus, a ponto de, desvairados da realidade democrática, tomarem-se como agentes de publicidade de candidato à prefeitura.
Nessa tresloucada miséria nos saltam inquietações coletivas: O que estes miseráveis intelectuais que não puderam perceber a miséria de seus patrões podem contribuir legislativamente para a produção de uma Manaus potência democrática criativa? O que podem, eticamente, como vereadores que usaram os meios sórdidos da miséria material, produto do capitalismo mistificado (religião/patológica), contribuir para composição de um discurso social manauara em que todos sejam o Bem Comum? O que esperar de um candidato à prefeitura indicado por esses miseráveis? Resposta, sartreana? Nada. A miséria urbana.
Sem graus superiores de inteligência acima do mais baixo, o que foi dado a ver e ouvir na infância, semi-estupidez, e sem ética como modus de ser na sociedade dos amigos, todos os tele-miserabilistas só receberão seus miseráveis salários e nada mais.
Daí que suas misérias não são faltas para Manaus. Manaus sem eles é graça! Riqueza! E para Manaus não poder deixar de ser o preenchimento de sua própria população, tem que se livrar desta pobreza, já que a pobreza não faz uma cidade.