A MÍDIA E OS GRAMPOS POLÍTICOS DE LULA

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O filósofo Marx, opinando sobre o governo Lula no contexto global capitalístico, poderia afirmar que mesmo sem a sustentação científica da crítica da econômica política, a política econômica de Lula segue em direção correta, pois se faz diferente das políticas anteriores a seu governo. O mesmo poderia afirmar sobre sua política social que beneficia, embora não transfiguradoramente, milhares de famílias que se encontravam nos guetos do lumpemproletariado. Já quanto a sua atuação política como forma de entrelaçamentos (pode ser também enfrentamentos) de forças que pretendem fazer emergir enunciados diferentes de seu governo, ou fortalecer os enunciados discursivos determinantes de seu governo, ele talvez apontasse uma certa ausência de veemência decisória em sua atuação. Desconhecimento de seu poder político/jurídico que lhe coloca em posição sujeitada as produções de fatos direcionados a tingir seu governo. Por tal, sua lógica de discernimento para agir sobre essas produções, torna-se opaca, deixando-o como se sempre estivesse a mercê de todos os ardis da direita, imobilizada em sua paranóia conspiratória.

A MÍDIA QUER FATOS? É DE LULA ATOS!

É tautológico comentar a notoriedade da mídia como força de pressão nas instâncias das direitas, principalmente nas legislativas. Tomando a predominância destas pressões, todas as imposições parlamentares contra o governo Lula foram estimuladas pela mídia seqüelada, e a Veja sempre com grande desempenho. Agora, no caso do grampo, foi a autora de mais uma espetaculosa investida. Publicando denuncia de grampo em conversa telefônica entre Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres, apresentada por suposto agente da ABIN, envolveu Lula que se mostrou tíbio ante uma denuncia que sequer foi apurada por qualquer instituição policial. Atendeu os propósitos dos conspiradores. E, ainda pior, destituiu do carga, provisoriamente, mas destituiu, o Dr. Paulo Lacerda, homem de conduta profissional voltada decididamente aos interesses moral e jurídico da segurança do país. Um ato que atende aos fatos da mídia seqüelada e seus associados, e não aos interesses do país.

Marx para comentar a política de Lula cientificamente, teria que ver uma atuação contrária a que tomou Lula. O presidente teria que observar dois princípios banais em situação como essa produzida pela inominável revista.

1 – Decisões contra ou a favor a direção da instituição ABIN, só depois de investigado o caso (se é que existe) em todas as suas demonstrabilidades de veracidade ou falsidade. O que evitava a ilogicidade política que neste momento um homem como o delegado Paulo Lacerda sofre as conseqüências.

2 – Estando envolvidos no tal grampo duas personagens por demais notabilizadas no cenário nacional nos campos respectivos de suas atuações, no parlamento o senador direitista do PFL, inimigo de Lula, Demóstenes, e na justiça o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Gilmar Mendes, homem de visível vaidade, e que não faz questão de ocultar, o princípio democrático a ser seguido seria preservar o delegado Paulo Lacerda que democraticamente tem sua existência mais comprometida com a democracia racional que os dois citados, já que ambos, em seus palcos profissionais, nos ofereceram alguns espetáculos próprios de um sistema político teratogênico contrário a democracia racional.

Assim, o companheiro Lula mais uma vez cedeu aos conspiradores entregando decisões políticas aos inimigos, negando em si seu poder de estadista. Todavia o que nos vale é que o Brasil é um Estado composto por um povo de essencialidade democrática que nessas horas segura as incongruências ilógicas. O que impede a mídia de se fazer verdadeira e justa.

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