LULA SE UNE À UNE PELO AFASTAMENTO DA DITADURA MILITAR

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Enquanto Ustra e muitos outros torturadores vão vendo a condenação de seus atos se aproximar dos tribunais, a mensagem encaminhada hoje à tarde por Lula ao Congresso Nacional referente a um projeto de lei que reconhece o Estado brasileiro como responsável pela destruição do prédio da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1964 e fixação dos termos de indenização pelo atentado ao prédio é uma mensagem de que o Governo Federal está realmente levantando o tapete da ditadura e deixando/fazendo visível a violação dos direitos humanos no período ditatorial.

Estiveram presentes diversos ministros, como Luiz Dulci (Secretaria-Geral), Tarso Genro (Justiça), José Gomes Temporão (Saúde) e Fernando Haddad (Educação). Com membros destes vários ministérios, vai sendo criada uma comissão que terá trinta dias para fixar o valor e a forma da indenização.

Após ser incendiado em 1964, o prédio da UNE ficou desativado e foi demolido em 1980, tornando-se posteriormente um estacionamento clandestino. Os estudante fizeram várias manifestações e somente em fevereiro de 2007 a justiça concedeu a reintegração de posse à UNE e à UBES – Associação Brasileira dos Estudantes Secundaristas. Durante o período de manifestações, foram realizados planos de reconstrução da sede e construção de um centro cultural, que foram elaborados e doados pelo secular-democrático-comunista-arquiteto Oscar Niemeyer.

Juntando-se as ações desenvolvidas para criminalizar as ações de torturadores, que se aproveitaram do estado de exceção para perseguir, torturar, matar, à criminalização do próprio Estado nesse período, a indenização e reconstrução do prédio da UNE não é apenas um paliativo material, mas carrega elementos imateriais do passado, presente e futuro brasileiro. A UNE foi perseguida logo no início pela sua potência política, o reconhecimento desse acontecimento serve, principalmente, para mostrar quão necessária a continuação dessa linha de modo a não permitir a repetição da violência de ditaduras tanto militares quanto civis. Lembrar que ser estudante não passa apenas por uma especialidade técnica. Só é estudante quem age politicamente para modificar o mundo.

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