O MARKETING DOS CANDIDATOS
Na era da comunicação informatizada, em que o virtual procura dissipar o real, as empresas de marketing fazem suas festas de desrealização do outro como fator da experiência do conhecer. É a ordem do vazio eliminando o princípio da alteridade, onde o real se manifesta pela ação dos encontros diretos das multiplicidades. Perder os sentidos para ganhar a aparência. Quanto mais virtual, mais real. O virtual se torna referência real. Agora o conteúdo e a forma do produto é o que menos importa, o que importa é sua força de encanto capaz de envolver o consumidor.
O CANDIDATO MERCADORIA
No Brasil, o primeiro acontecimento eleitoral pós ditadura que mostrou a eficácia da virtualização como sucesso garantido de venda de um candidato, foi na chamada era Collor. Collor, transfigurado pelas empresas de marketing e mais a ativação de sua imagem-virtual pela mídia, principalmente a Rede Globo, em uma mercadoria psicodélica-virtual, conseguiu “derrotar” Lula-real e chegar ao Palácio do Planalto, não como um ser biologicamente existente dotado de sentidos e razão, mas como um simulacro, tudo que não vai além, e nem aquém, da superfície transparente: o nada. A película-sensorial sem conteúdo necessário ao consumidor. No caso Collor, a democracia. A prova social: ele não colou. Caiu com um estrondoso impeachment, este real. O real fragmentou o virtual. Na linguagem povão: “O defunto era menor que o caixão”.
Agora, em tempo de eleição 2008, os partidos, principalmente os mais dotados de força econômica, rezam contrato com empresas marqueteiras para melhor venderem seus candidatos. Candidatos cronologicamente novos e candidatos cronologicamente velhos. Na linguagem povão, candidatos sambados ou rodados e, ainda o povão, muito mal rodados.
Nas antigas, na década de 70, na análise do filósofo marxista/psicanalista Marcuse, a técnica fundamental era “embalar a boneca”, dar uma aparência encantadora na mercadoria para atingir a zona alucinógena do consumidor. Aquele territoriozinho da razão que, embora o sujeito esteja em estado de vigília, está desprotegida. A zona do desejo consumista sem lógica, criada pela maquinação capitalista.
Hoje, a primeira mágica para virtualizar um candidato é eliminar qualquer signo real que possa tocar na memória afetiva-real do eleitor. Ele tem que rodar na órbita fantasmagórica da simulação, e tomar a simulação como real. Em todos os tipos de candidatos temporalizados no novo e no velho, adesivam-se signos que escapam de suas realidades anatômicas, para imprimir-lhes o espírito (consciência) engajado nas questões sociais. O que o marqueteiro acredita construir um eleitor simulado até o momento de votar. É a vez do eleitor sair do real e entrar no virtual. E se encontrar ao vivo o candidato, seu raciocínio, com baixo grau perceptivo opera na zona virtual, onde não há a crítica.
A grande diferença entre a “boneca embalada” de Marcuse e a mercadoria eleitoral virtualizada é que sob a “boneca” havia uma imagem real, na mercadoria-virtualizada não existe imagem saída do real, mas uma imagem construída pelas tecnologias virtuais. Percebamos a virtualização dos antigos candidatos. São apresentados como novos modelos de administração que as cidades estão precisando, sem que não tenham sofrido nenhuma mudança em suas existências cotidianas. Exemplo, distante materialmente de Manaus: Paulo Maluf. Percebamos os “novos”. Apresentados pelas idades como modelo necessário: “a juventude renovadora”, mas, pela lógica da semelhança, são duplicações dos antigos. Exemplo distante de Manaus: o avoengo ACMzinho.
De sorte que no frigir dos ovos virtuais, os candidatos, perdendo ou ganhando, as empresas virtualizadoras sempre ganham, já que seu princípio capitalista é vender ilusões bem pagas. Mas do outro lado, na ordem do real, vivendo dores causadas por muitos velhos e novos que transformaram Manaus uma cidade abandonada, que nem o virtual pode desrealizá-la, a população se prepara para votar. O voto real, no candidato real.