O filósofo alemão Nietzsche afirma que a vontade de poder se traduz na criação e na distribuição. Não em cobiçar e dominar, próprio da vontade de negar e tiranizar. A tirania reativa. O triunfo do Não contra o Sim da vida. O triunfo do niilismo. A vitória do escravo. O carregador. O uso do pensamento para instituir valores medidores, julgadores e condenadores da vida. Nada da vida ativar o pensamento e o pensamento afirmar a vida. Em seu aforismo As três Metamorfoses, de seu Assim Falava Zaratustra, o filósofo alemão movimenta a transmutação dos valores como triunfo da afirmação da vontade de poder. O espírito metamorfoseia-se em camelo, o camelo em leão, e o leão em criança (imaginem o Chalita, com sua educação reativa, transformando estes espíritos em seus bichinhos). O espírito besta de carga, para provar sua força, deseja carregar o máximo de peso. Sempre pergunta: “Que há de pesado para transportar?”. Escorregando na lama, se dirige para o deserto e em plena solidão metamorfoseia-se em Leão. Deseja ser rei do deserto “Eu Quero”. Para isso tem que lutar com o grande Dragão “Tu Deves”. Valores milenares criados no passado se opõem ao “Eu Quero”. Este espírito, embora não esteja preparado para criar novos valores, se liberta dos valores passados: o Não. Então, metamorfoseia-se em criança, “o jogo, a roda que se move por si própria, primeiro móvel, afirmação santa”. Perdido o mundo, o espírito tem seu querer “quer conquistar seu próprio mundo”. Nesse aforismo se encontram os espíritos que sustentam o niilista, o pessimista, o reativo: o ressentimento, a má consciência e o ideal ascético.

Chamemos o filósofo Deleuze para uma síntese encontrada em certas atuações políticas.

>> O Ressentimento — “Acusação e recriminação projetiva. É por tua causa que sou fraco e infeliz: é o teu erro. Reação contra tudo que é ativo”.

>> A Má Consciência — “Momento da introjeção. Tomada a vida como um engodo… Interioriza a falta, diz-se culpado, vira-se contra si mesmo: meu erro”.

>> O Ideal Ascético — “Inversamente, a vontade de nada só tolera a vida fraca, mutilada, reativa: estados vizinhos de zero: momento da sublimação”.

Pois bem. Vejamos estas frases carregadas pelo senador Arthur Neto, “orgulho do Amazonas”, depois da votação da CPMF na Comissão de Constituição e Justiça. Com 12 votos para o governo contra 9 da chamada oposição.

“O governo até agora teve o oásis, daqui para frente vai atravessar o deserto só com um cantil e pelo meio de água.”

“Na CPMF, então, o governo vai ver o que é bom pra tosse.”

E aÃ?

E então?

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